Miranda tem 10 mil seguidores no Brasil
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segunda-feira, 06 de outubro de 2008
Omar Godoy<BR>Equipe da Folha 
O telefone toca dez minutos antes do horário marcado. Melhor dia, abençoado. Você já está pronto para conversar com o Bispo Kele?, pergunta Riane, assessora de imprensa do ministério Crescendo em Graça no Brasil.
O carioca Pedro Kele, um ex-bancário de 50 anos, é o principal representante de José Luis de Jesús Miranda no País. Tem status de bispo e coordena um rebanho de mais de 10 mil fiéis em todo o território nacional.
Não se sabe ao certo o tamanho do patrimônio brasileiro do grupo, mas sua estrutura inclui programas e emissoras de rádio, sites, publicações semanais, edifícios e uma infinidade de equipamentos de áudio e vídeo.
Quem informa é o próprio Kele, simpático e solícito como todos os outros membros do ministério. No momento, temos o sonho, o desejo ardente de produzir um programa de tevê em nível nacional, afirma, de seu escritório no Rio de Janeiro. Por enquanto, apenas algumas cidades captam, via antena parabólica, o sinal da TeleGracia, o canal por satélite de Crescendo em Graça.
Egresso da Igreja Congregacional Pentecostal, Kele segue os ensinamentos de Miranda há nove anos. Ele admite que teve uma experiência muito forte com Jesus de Nazaré, porém mudou sua maneira de ver o mundo após compreender que não existe mais pecado.
Eu via as outras pessoas alegres e felizes jogando bola, indo à praia, tomando cerveja... Só que os meus antigos pastores condenavam tudo isso, sendo que eles eram os primeiros a transgredir as normas quando saíam da igreja, diz.
Sobre a crença de que Miranda é a segunda vinda de Deus, Kele é enfático.Não foi ele que se auto-intitulou assim. Com o tempo, a própria comunidade o reconheceu dessa forma, baseada em evidência bíblicas. E cita uma epístola do apóstolo Paulo: Está em Tessalonicenses que o Senhor virá assim como um ladrão na noite. Ou seja, na forma menos esperada.
De acordo com o bispo, a verdade sobre o número 666 também se encontra na Bíblia. Entre as referências, está a de que Salomão, o homem mais sábio e rico de seu tempo, cobrava impostos anuais de 666 talentos de ouro. Por que não 600 ou 700?, questiona.
Comento que o culto ao número acabou se tornando uma forma de marketing, ou anti-marketing, pois atrai as atenções para o ministério. Kele concorda. Eu diria que é um marketing angelical. Isso saiu como uma flecha pelo mundo e ajudou a nos divulgar, pois qualquer pessoa conhece o número 666.
Por fim, menciono artigos publicados em sites e revistas do meio cristão que consideram o ministério uma seita apocalíptica e temem um suicídio coletivo liderado por Miranda. Kele dá uma risada e diz que não há o menor risco de acontecer uma tragédia. Simplesmente porque isso não está Bíblia, afirma.


