A extração de gás natural na reserva de Barra Bonita, em Pitanga, pode ter início em 2009. A previsão - à qual
a Folha teve acesso com exlusividade - foi incluída na Planilha de Planejamento de Atividades que a Petrobras é obrigada a apresentar anualmente à Agência Nacional do Petróleo (ANP). A informação foi divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, em resposta a questionamento encaminhado, via ofício, pelo gabinete do deputado federal, Ricardo Barros (PP).
  Em contato com a Folha, a assessoria de imprensa do Ministério informou que a previsão para o início das atividades foi apurada por meio de consulta à ANP e Petrobras. O órgão informou também que a concessão do campo de Barra Bonita ainda pertence à Petrobras e que a fiscalização e o acompanhamento das atividades na área cabe à ANP. O MME recusou pedido de entrevista com o autor do ofício ao deputado federal - o secretário de Petróleo e Gás, João José de Nora Souto -, sob alegação de que o assunto é ‘‘eminentemente técnico’’.
  As informações prestadas pela Petrobras e pela empresa norte-americana El Paso, que realizaram pesquisas na região, são contraditórias. A petrolífera nacional informa que ainda estuda a viabilidade de produção em Barra Bonita e analisa a possibilidade de incluir o campo nas rodadas internacionais de licitação.
  A El Paso afirmou ter encerrado os estudos em Pitanga com a constatação de que ‘‘há uma pequena quantidade de gás sem potencial para exploração comercial’’.
  O chefe da assessoria de imprensa da ANP, Fernando Manso, declarou que a primeira tentativa de vender o direito de exploração da reserva de Barra Bonita não encontrou interessados, em 99. Para ele, o campo poderá ser inserido nas rodadas de licitação da Agência a partir do ano que vem. A ANP se negou a divulgar o resultado das pesquisas realizadas pela Petrobras e El Paso, alegando a existência de ‘‘cláusula de confidencialidade’’.
  O deputado federal, Ricardo Barros, criticou a falta de empenho político das autoridades para implantar um projeto de desenvolvimento econômico vinculado à extração do gás.
  O presidente da Compagás, Luiz Carlos Meinert, disse que a empresa tem direcionado suas ações para identificar indústrias cerâmicas interessadas em se instalar em Pitanga. ‘‘Aquela região tem um dos menores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Paraná e poderia se beneficiar com a extração do gás. Estamos atrás de investidores’’, declarou, reconhecendo que a Compagás ainda não encontrou empresas interessadas no negócio. Sobre a diferença entre as estimativas da capacidade da reserva, Meinert disse que a previsão inicial sofreu alteração porque houve queda de pressão em alguns poços após as primeiras pesquisas. (F.C.)

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