Minha nada mole vida
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de junho de 2007
André Amorim<BR>Equipe da Folha 
O termo república, utilizado para denominar moradias estudantis, é muito adequado. Nesses espaços, quem faz as leis, se encarrega de distribuir tarefas, aplicar punições, bem como decidir os rumos da casa, são os próprios moradores, que dão a cada república sua própria identidade. Longe da segurança do lar materno, muitos jovens aprendem uma valiosa lição sobre cooperação, respeito e solidariedade.
Uma das repúblicas mais famosas do Paraná é a Casa do Estudante Universitário (CEU) de Curitiba. Sua atual sede, localizada ao lado do Passeio Público, tem 51 anos de existência. Segundo seu presidente, Bohdan Metchko Filho, essa é a maior casa de estudantes da América Latina, com 400 vagas. Nela, só são aceitos jovens com perfil sócio-econômico carente (renda familiar máxima de seis salários mínimos), que residem fora de Curitiba e estão matriculados em instituições de ensino superior. A mensalidade de R$ 170 lhes garante moradia, café da manhã e almoço aos domingos. Os quartos são duplos e vêm equipados com alguns móveis.
Para gerenciar esta estrutura, a CEU é dividida em 10 departamentos (comunicação, jurídico, esportes, cultural, entre outros). O trabalho voluntário é obrigatório, todos os moradores têm que dedicar pelo menos 10 horas por mês à manutenção das atividades da casa. Quem não participar, pode levar multa. Temos que trabalhar o espírito comunitário, justifica Bodhan.
Há mais de dois anos morando na CEU, o estudante de Design Octávio Augusto, de 26 anos, já trabalhou no departamento de comunicação, mas adianta que nem sempre há trabalho para todos. O serviço é abatido do valor do aluguel, às vezes tem briga para conseguir trabalho, conta.
Vindo de Bauru (SP), Octávio acredita que a melhor parte dessa experiência é fazer amigos. Todo mundo se ajuda, diz ele. Desde o papel higiênico até o rateio da ADSL, brinca o estudante. Na questão da paquera, também é preciso conversar. Levar a namorada para dentro da casa é permitido se não for atrapalhar o colega, portanto, tem que ser na camaradagem, explica.
Do outro lado do Passeio Público está a Casa do Estudante Luterano Universitário (Celu). Ela abriga 88 moradores efetivos e alguns provisórios, todos do sexo masculino. Assim como na CEU, os estudantes passam por uma avaliação socioeconômica antes de serem admitidos. Uma vez lá dentro, todos os sábados eles têm que participar de um mutirão de arrumação. Quem não participa pode ser punido.
Segundo o presidente da Celu, Policiano Gomes, de 28 anos, é preciso estar de olho para ver se as regras da casa são cumpridas. Barulho após as 22 horas, desperdício de água e luz e cigarro na área comum, por exemplo, são proibidos. Onde tem um monte de homens, se não tiver disciplina a casa cai, brinca Policiano. Para avaliar as faltas e punições para os moradores existe um conselho deliberativo. Três faltas podem levar à expulsão.
Sobre a presença de mulheres num lar masculino, Policiano é categórico: Elas são sempre bem vindas. Como nas outras casas, vale a regra do bom senso. Só é preciso respeitar o companheiro de quarto, afirma.
SAIBA MAIS
Confira onde ficam as casas que abrigam estudantes em Curitiba
- Cenibrac (masculino e feminino)
Casa do Estudante Nipo-Brasileira de Curitiba
Rua Atílio Bório, 71 - Cristo Rei
CEP 80050-250 - Curitiba - PR
Fones: (41) 3262-1912 / 3264-5807 http://www.cenibrac.org.br
- CEU (masculino)
Casa do Estudante Universitário
Rua Luiz Leão - 01 - Centro
CEP 80030-010 - Curitiba - PR
Fone: (41) 3222-4911
- Celu (masculino)
Casa do Estudante Luterano Universitário.
Rua Pres. Carlos Cavalcanti, 239 - Centro
CEP: 80020-280 - Curitiba - PR
Fone: (41) 3324-3313 - www.celu.ufpr.br
- Ceuc (feminino)
Casa da Estudante Universitária de Curitiba
Rua General Carneiro - 360 - Centro
CEP 80060-150 - Curitiba - PR
Fone: (41) 3264-6244 / 3360-5314
- LAC (feminino)
Lar da Acadêmica de Curitiba
Rua Doutor Salvador de Maio, 81, Jd. Botânico
CEP 80215-350 - Curitiba - PR
Fones: (41) 3362-0436 / 3262-2633


