Se é verdade que todo mundo tem alguma história com uma Kombi, não sei. Mas eu também tenho a minha.
Aconteceu em meados dos anos 1990, quando morava em Brasília. Como se sabe, o transporte público na capital federal é de lascar. Além de ter a passagem de ônibus mais cara do País, a cidade oferece poucas linhas e veículos em péssimo estado de conservação. Na condição de pedestre profissional, buscava me livrar dessa situação a todo custo.
Nas vezes em que não conseguia carona, apelava para as lotações. Autorizadas pelo governo distrital, cobravam o preço do ônibus, aceitavam vale-transporte e faziam os mesmos trajetos. Hoje esse tipo de serviço é realizado por vans, mas naquela época era totalmente dominado pelas kombis.
Pois bem. Uma noite, voltando da faculdade em uma lotação, percebemos que estávamos sendo seguidos por um camburão da Polícia Militar. Escrevi no plural porque éramos nove - sete passageiros, o motorista e seu assistente, um misto de guia e cobrador.
A viatura foi se aproximando até ligar a sirene e colar ao lado da Kombi. Os PMs, com os braços para fora, exibiam escopetas, pistolas e outros brinquedos perigosos. O motorista, é claro, parou imediatamente. Assim que o co-piloto abriu a porta, um dos passageiros saiu correndo em direção a um matagal.
Alguns policiais, de lanterna na mão, verificavam se havia algum suspeito entre nós. Os outros dispararam atrás do fujão, que logo foi capturado.
E não é que o sujeito nada tinha a ver com a história? Aparentemente, trata-se de um homem de bem, voltando do trabalho. Mas ficou tão apavorado com o cerco policial que não pensou duas vezes. Ou melhor, nem chegou a pensar: apenas deu no pé, por puro instinto. Felizmente, foi liberado e pôde seguir viagem.
Depois desse susto, deixei de recorrer à lotação. E, pensando bem, nunca mais andei de Kombi. (O.G.)

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