Mineiro simboliza força na aventura dos 50 anos
O pioneirismo da Folha no Estado se deu em vários momentos e teve muitos símbolos. Um deles foi com Alexandre Rocha Filho, 57 anos, o Mineiro. Foi ele quem abriu várias linhas de distribuição no Estado. Mineiro passou por diversos setores do jornal. Sua história começa em novembro de 1955, quando o time da Folha - cujo goleiro João Milanez jogava de cueca no gol, segundo a lenda. Atrás do gol havia um menino esperto que catava a bola. O menino encantou Milanez. Vai lá na Folha. Você vai trabalhar comigo. Mineiro foi e começou como entregador.
Por causa da incerteza do horário de circulação do jornal, Mineiro parou os estudos no 2º ano primário. Tinha dia que o jornal saía de manhã, outro dia era à tarde. Por este motivo comecei a frequentar a Oficina. Aos poucos fui aprendendo a fazer de tudo.
Em 67, Mineiro passou para a circulação, distribuindo o jornal até Apucarana juntamente com o motorista Manezão. Naquele tempo, o único carro utilizado era uma Kombi alugada, cujo motorista não deixava escrever o nome do jornal nas portas. A segunda linha chegou até Jandaia do Sul. Teve um ano em que a Miss Jandaia do Sul venceu um concurso de miss e, por birra de Manezão, o jornal não foi entregue na cidade, relembra.
A maior dificuldade, segundo Mineiro, era a falta de asfalto. A rodovia asfaltada chegava somente a Nova Esperança. Para a linha de Umuarama, por exemplo, tinham que desviar por Campo Mourão, passando em Cianorte e Terra Boa, porque não havia ponte sobre o Rio Ivaí. Em dias de chuva, a linha de Cascavel era feita por Ponta Grossa, pois por Campo Mourão a estrada se tornava intransitável.
Além de distribuir jornais, Mineiro também fazia a venda de assinaturas e a coleta de informações nos municípios onde passava, para transformar em notícia do jornal e poder vender na região. Eu também pegava informações nas prefeituras, nas delegacias, nas rádios. E passava tudo para o redator Estélio Feldman.
Das suas andanças, Mineiro relembra quando esteve em Foz do Iguaçu acompanhando uma reunião de políticos, tentando vender anúncios e assinatura. Eu colhi as informações e passei para o Estélio, que a redigiu. Ficamos mais de hora ditando a matéria por telefone. Depois, enviamos as fotos por telefoto, recorda, enfatizando o pioneirismo.
Mineiro se orgulha em ter sido o responsável pela abertura de linhas de distribuição da Folha no Estado. Após conquistar o mercado nestas regiões, contratava motoristas para atuarem nos trechos. Eram todos loucos. Eles corriam muito e tinham que passar pelo teste comigo. Para trabalhar com a gente, tinha mesmo é que ser louco, gostar de aventura. Chegamos a fazer de Londrina a Curitiba em quatro horas. E olha que não havia a pista dupla depois de Ponta Grossa, ressalta.
Neste época a Folha adquiriu aqueles Fuscas Voadores. Eles receberam o logotipo alaranjado que por muitos anos caracterizou o jornal em todo o Estado, Sul de São Paulo e Sul do Mato Grosso do Sul. A dificuldade na época era de conseguir entregar o jornal no horário previsto, porque nunca se sabia quando é que a edição ficaria pronta, lembra.
No início da década de 70, Milanez conseguiu junto ao governador Haroldo Leon Perez uma espécie de recomendação para a Folha vender assinaturas. Indicados pelo governador, conseguimos entrar em todas os municípios e o Milanez aumentou seu prestígio no Estado, ressalta.
Ainda nos anos 70, Mineiro começou a trabalhar somente como contato publicitário da Folha, atendendo uma vasta região, inclusive a de Pato Branco, no Sudoeste. Uma parcela da história do Norte do Paraná foi acompanhada de perto por Mineiro, que sempre foi sinônimo do jornal na região.
Hoje Mineiro mantém uma empresa que terceiriza a comercialização de anúncios da Folha com a região de Apucarana - administrada pelo seu filho Willian - e para a região de Londrina. Por causa de um derrame que sofreu há dois anos, Mineiro diz ter dificuldade em lembrar de muitas histórias da época e que, parte da história do Norte do Paraná está se apagando com ele. (A.S.)





