A concessão de benefícios e incentivos fiscais para atrair novas empresas para os Estados é uma prática consolidada entre os governos interessados em ampliar o seu parque industrial. Um exemplo vem de Minas Gerais. Na época em que a Fiat decidia o local onde iria construir a primeira unidade brasileira, o governo mineiro ofereceu à montadora italiana todas as vantagens possíveis. Em 1973, a Fiat optou pelo município de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Uma das maiores vantagens para a Fiat foi o governo ter se oferecido como acionista. O Estado entrou com 49,9% de participação no capital de investimento - ações que foram vendidas nas Bolsas de Valores nos anos seguintes, durante o governo de Newton Cardoso. No final do negócio, o Estado detinha apenas 18,17% da sociedade.
O terreno de 2,2 milhões de metros quadrados, onde a Fiat se instalou, foi conseguido através de um financiamento com prazo de 40 anos para ser quitado. O pagamento é feito sem correção monetária. A infra-estrutura para a instalação da fábrica foi financiada pela Companhia de Distritos Industriais.
Os incentivos fiscais também superaram os concedidos pelo governo paranaense para a Renault. Devido a uma lei estadual aprovada em 1969, o governo garantiu para a Fiat a isenção de 25% do ICM (atual ICMS). A fábrica italiana não precisou pagar o imposto por um período de cinco anos. No caso da Renault há apenas a dilação do pagamento do ICMS por um período de 48 meses, prorrogáveis por mais 48.
A Fiat contou ainda com a ajuda do governo federal. O Ministério da Fazenda liberou a importação de máquinas e equipamentos sem similares nacionais. O governo mineiro também se comprometeu a reembolsar a empresa de qualquer prejuízo ocorrido durante o empreendimento. Este item foi anulado em 1975 pelo então secretário da Fazenda do governo Aureliano Chaves, João Camilo Penna.

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