Milênio dará mais valor ao indivíduo, prevê OAB
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
César AugustoZanetti: cidade sempre foi pujante, mesmo sem apoioCélia Baroni 
Um milênio onde o indivíduo vai valer mais que sua capacidade produtiva. Esta inversão de valores, afirma o vice-presidente da subseção da OAB-Londrina, advogado Lauro Zanetti, vai completar um ciclo iniciado com a Constituição de 88. Estamos passando por um processo de adaptação onde os direitos que garantem a cidadania e os direitos individuais são prioridade. Este processo vai se consolidar no início deste novo milênio, acredita Zanetti. A pressão e a cobrança da população, diz, vão garantir que o ciclo se feche e a justiça esteja realmente ao alcance de todos.
Dentro desta análise, Zanetti, diz que Londrina chegou antes ao novo milênio. Comparada com a realidade de outros municípios e do próprio País, Londrina é um oásis. Nossa cidade sempre foi pujante, conseguiu crescer mesmo quando não contava com o apoio do Estado, afirma. Para ele, o desenvolvimento de Londrina é resultado do perfil ousado e de vanguarda de suas administrações e de um povo que sempre esteve à frente no tempo.
O processo de industrialização, acrescenta, é uma prova desta visão de futuro que sempre caracterizou a cidade. Zanetti acredita que a industrialização vai amenizar os efeitos da crise sobre a cidade, gerando renda e movimento no comércio. Esta mudança radical no perfil da cidade, no entanto, vai precisar ser seguida também por uma revolução na administração do município e do Estado, comenta.
Zanetti fala de um redirecionamento dos investimentos priorizando as áreas sociais. O Poder Público tem de garantir os direitos básicos - saúde, educação, segurança e justiça - para a população. As perspectivas são boas. As mudanças já se fiseram sentir nas últimas administrações que têm priorizado obras sociais, analisa. Cita como exemplos os investimentos em saneamento, construção de escolas, saúde etc.
Não basta oferecer emprego. É preciso que a cidade ofereça também condições de acesso ao trabalho e isto implica em uma cidade com infra-estrutura adequada e que acompanhe a demanda do crescimento, diz. Ele cita como prioridade absoluta o acesso à educação - creche e escola - para todos. A Índia tem um índice de violência inferior ao do Brasil apesar de ser mais pobre. O melhor remédio contra as diferenças sociais que geram a violência ainda é a educação, defende.
Outro exemplo do crescimento da cidade, acrescenta, está na área da justiça. Em 1980, Londrina tinha 3 varas cíveis; hoje tem 10. Naquele ano a cidade contava com apenas 5 juízes; hoje são 29 entre federais, estaduais e do trabalho. Segundo a OAB, atualmente Londrina tem 1.500 advogados - mais de 70% dos profissionais de toda a região da sub-sede. Isto significa uma sociedade mais bem assistida, afirma.
Com a humanização das relações sociais e de trabalho, Zanetti prevê que o papel do advogado também ganha mais importância. Os advogados estão mais especializados e em sintonia com os interesses da população, garante. Mas afirma que só haverá justiça para todos se o sistema judiciário fôr considerado prioridade. Se hoje a justiça não tem a agilidade necessária, a responsabilidade é da falta de investimento no setor. , reforça.


