Mil e uma noites sob os véus da opressão
Em terra de mil e uma noites as mulheres têm seu preço, literalmente. As mais gordinhas podem valer até 200 camelos, as jovens e esbeltas não são trocadas por mais do que cem dromedários. Embora pareça uma fábula, a prática alibabesca ainda é realidade em grande parte do Oriente Médio, numa demonstração clara e evidente de que as mulheres estão longe de vencer a guerra da igualdade. Basta caminhar pelas ruas de Istambul, Teerã ou de uma centena de outras cidades próximas para perceber a subordinação das representantes do sexo feminino. Os homens são maioria absoluta nas ruas, já que as mulheres só saem de casa quando é extremamente necessário. As que se atrevem a caminhar nos locais públicos andam rápido, de cabeça baixa e sempre alguns passos atrás do seu homem.
Apesar de tanta opressão, cultivada por milênios de tradição machista, a cultura ocidental chega a estes países pela televisão ou pelos turistas. Com mais força do que uma bomba terrorista, a liberação da mulher em todo o mundo invade o Oriente Médio, colocando as reprimidas muçulmanas num confronto direto e diário.
O ex-correspondente internacional Pedro Bial, em seu recente livro Crônicas de Repórter, narra um flagrante que deixa evidente esta guerra interna que assola o maior ponto de conflito do mundo. Após presenciar inúmeras cenas de machismo extremo, como o dia em que testemunhou policiais iranianos agredindo física e moralmente duas mulheres que usavam esmalte nas unhas, ele flagrou cenas pitorescas que provam as emoções reprimidas daquelas mulheres.
Enquanto fazíamos imagens nas ruas, várias mulheres - cobertas dos pés a cabeça - tinham reações surpreendentes ao perceberem que estavam sendo filmadas. Elas baixavam seus véus e faziam toda a sorte de expressões libidinosas. Passavam a língua sobre os lábios, mandavam beijinhos, fingiam rugir, enfim, escancaravam uma sensualidade nada represada...





