Microigrejas pipocam por toda parte em Londrina
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sábado, 01 de abril de 2006
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Polêmica ou não, a religião em si influencia a vida das pessoas. Fiéis calorosos ou simplesmente cristãos, ateus ou simpatizantes de alguma crença, todos se envolvem com a religião, seja direta ou indiretamente. A vontade de chegar um pouquinho mais perto de Deus têm atingido tal proporção que milhares de novas igrejas ou novas religiões surgem a cada instante.
Em Londrina, elas surgem com nomes diferentes e desconhecidos. Nos últimos meses, um grande número de novas igrejas apareceram na cidade. Só em 2004, de acordo com a Secretaria Municipal da Fazenda, foram fornecidos 32 alvarás para novas igrejas ou associações religiosas funcionarem. No ano passado, outras 26 igrejas foram abertas. O número pode parecer pequeno, mas a questão é: a fé está sendo mercantilizada? Quantas igrejas abrem sem alvará? Os locais onde funcionam estão completamente regularizados?
O secretário municipal da Fazenda Wilson Sella considera o número alto, mas explica que muitas acabam funcionando sem alvarás sim, mesmo porque, segundo ele, não há problema. ''Não é uma atividade que gera impostos, então não existe problema. A questão é que sem o alvará ela terá restrições para ser oficializada'', diz.
Algumas igrejas, abertas sem alvarás, funcionam em ambientes fechados, com poucas janelas, com apenas uma porta para entrada e saída e sem extintores de incêndio. Este é o caso da Comunidade Cristã Água Viva, localizada na Avenida Robert Koch, no bairro Aragarça (Zona Leste), que foi inaugurada em fevereiro.
Em dias de culto, o salão da igreja fica lotado de fiéis, mais ou menos umas 100 pessoas. Sentados em cadeiras confortáveis, eles participam do rito até o fim com muita música. No palco, um grupo de dez pessoas mantém os fiéis agitados, cantando sem parar.
O salão é simples. Possui paredes brancas, sem nenhum tipo de objeto pendurado. Banheiros masculino e feminino nos fundos, mais de um pastor na porta e pessoas que te recepcionam na entrada dizendo: ''Paz, irmão''.
Segundo Sella, se o estabelecimento tivesse um alvará, uma vistoria checaria as condições do local, mas enquanto isso, as pessoas continuam se aglomerando no espaço sem fiscalização da segurança.
Há suspeita de que existem alguns pedidos de álvaras de imóveis classificados como associações religiosas, mas que na verdade não o são. Os proprietários acabam se beneficiando disto para obter isenção do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).
O pastor Sérgio, da Comunidade Cristã Água Viva, foi procurado diversas vezes pela reportagem da Folha que queria ouvir a história, origem e costumes da igreja, mas ele não quis falar sobre o assunto.
Sabe-se apenas que a igreja teria nascido em Londrina. Uma fiel, que preferiu não se identificar, disse que a igreja teria surgido há cerca de um ano, na casa de uma pessoa e que hoje já possui três sedes: uma na Avenida Robert Koch (Zona Leste), outra no Conjunto Cafezal (Zona Sul) e a terceira no Jardim Maria Lúcia (Zona Norte).
De acordo com o Conselho de Pastores, só em Londrina existem mais de 400 igrejas evangélicas. Ainda assim, o conselho não têm controle para saber quantas e de que ramificações são estas igrejas.
Mesmo com a grande quantidade de novas igrejas evangélicas, a população católica ainda é dominante. Resultados da amostra do Censo Demográfico de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 304.723 londrinenses são católicos e 97.029 evangélicos.
O arcebispo da Arquidiocese de Londrina dom Albano Cavalim avalia o nascimento de novas igrejas como uma realidade e um número grande, mas salienta que seu papel é cuidar da sua ''família''. ''Devo ver como está funcionando a nossa casa. Eu sigo a linha ecumênica do Papa João XXIII que segue certo princípio, de que é muito mais importante o que nos une ao amor a Cristo do que o que nos divide''.


