Meu parente, meu colega
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
A vida adulta é dividida essencialmente em duas esferas: a profissional e a familiar. Cada um desses universos tem suas próprias regras de convivência, em geral excludentes entre si. Quando há uma intercessão entre esses dois mundos é preciso tomar cuidado para não confundir as coisas, é o que alerta o professor da Fundação Getúlio Vargas, especialista em recursos humanos, Francisco Raje.
''O ponto mais importante não é nem separar a empresa da família, até porque isso não é possível, o importante é que todos os envolvidos tenham em mente que o foco deve estar no resultado do trabalho'', explica.
Foi o que fizeram a designer Déborah e a publicitária Cybelle Godoy de Mendonça. Há dois anos essas irmãs decidiram juntar forças e abrir uma empresa de comunicação. No início dessa experiência, elas contam que era comum perderem a medida de onde acaba o pessoal e começa o profissional. ''A gente levava muito trabalho para casa'', conta Cybelle, que além da irmã, tem o namorado, Leandro Bonfim, como colega de trabalho.
Com o tempo, elas estabeleceram os limites de cada atividade e conseguiram extrair o melhor dessa relação. ''Os problemas do trabalho ficam no trabalho, por outro lado, é bom que a gente morando juntas tem a oportunidade de estudar em casa temas de interesse'', observa. Déborah concorda com a mana. ''É bom que estamos comprometidas com um objetivo em comum, ninguém está competindo'', afirma.
Segundo o professor Raje - que também possui uma empresa familiar onde atuam a mulher, o filho e uma sobrinha -, algumas famílias que dirigem grandes empresas contratam consultores para trabalhar a chamada ''governança corporativa'' para que fique bem clara a transição entre o almoço de domingo e a reunião de segunda-feira.
No caso das irmãs, não foi preciso a interferência de terceiros para apontar esse caminho. Para não haver brigas, cada um controla uma parte da empresa: Cybelle fica com o atendimento, Déborah com a Criação e Leandro com o planejamento. ''A gente se entende muito bem, até por ser da família, a gente sabe como cobrar'', diz Déborah.
Quando as engrenagens familiares estão bem ajustadas e todos sabem de suas responsabilidades, a gestão familiar só traz vantagens, como pontua Raje: ''O lado bom é a inexistência de barreiras para diálogos mais claros e a disponibilidade imediata''.
Por outro lado, se essas relações ainda estão confusas, os laços sanguíneos podem prejudicar o andamento dos negócios. ''Na hora que alguma coisa dá errado, é muito mais fácil resolver o problema de forma impessoal e aí pode-se ferir algumas sensibilidades'', acusa o professor.®MDBO¯®MDNM¯


