Operação da secretaria municipal do Meio Ambiente (Sema) erradicou pelo menos 42 árvores no fundo de Vale do Córrego Rubi (zona oeste) durante essa semana - das quais 76% estavam em boas condições fitossanitárias, segundo levantamento da ONG Tudo Verde. A operação revoltou diversos moradores vizinhos que acusam a prefeitura de praticar ação indiscriminada. O relatório da ONG foi enviado à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e indica que foram retiradas exemplares de Santa Bárbara, Sibipiruna, Grevillea, Alfeneiro e Leucena. Além destas, moradores indicam a derrubada de um pessegueiro em bom estado.
O presidente da ONG Tudo Verde, Pablo Melo Fajardo, disse que a operação vai acarretar a emissão extra de 4,5 toneladas de CO2 (gás carbônico) por ano. A emissão de CO2 é uma das principais indutoras do processo de aquecimento global - e as árvores representam importante forma de combater esse processo.
''Com o fim das árvores vivas, Londrina passou a emitir esse volume de gás carbônico para a atmosfera. Se plantarem hoje a mesma quantidade, somente no ano de 2032 é que passarão a ter o mesmo efeito'', explicou.
A dona de casa Vilma dos Santos, que mora há 47 anos em frente ao vale do Rubi, lamentou a retirada de um pessegueiro que ''dava frutos e flores''.''Não sou contra tirar o que está podre, mas esse corte foi excessivo. Eu que plantei o pessegueiro, ele estava ótimo e não oferecia risco a ninguém''. Ela também criticou a erradicação de outras espécies no fundo do vale. ''É um lugar sem fio, sem trânsito, então, se cair um galho não vai 'matar' ninguém. Ele apodrece e vira adubo natural''.
O ator e educador cultural, Fernando Góes, ironizou quando perguntado se as espécies estavam condenadas. ''Condenadas nada, quem está se condenando somos nós (os seres humanos)''. De acordo com ele, a ação da Sema é desnecessária ambientalmente - ''a natureza tem seu ciclo, o fundo de vale não é igual à rua'' - e contraproducente do ponto de vista pedagógico. ''Como ensinar as crianças a respeitar o meio ambiente se a própria prefeitura toma uma atitude indiscriminada dessa. Foi um absurdo'', criticou. De acordo com ele, algumas espécies realmente comprometidas não foram retiradas.
A advogada Sônia Regina da Silva, que é esposa de um geólogo, disse que a retirada das árvores na encosta íngreme pode causar assoreamento do rio. ''As árvores servem como proteção do veio d'água. A ausência delas vai causar desbarrancamento. Me repugna essa atitude''.

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