Metrópoles não são feitas só de pessoas que nascem nelas. Muitos vêm de cidades vizinhas, de outras cidades grandes, outros vêm de pequenas cidades do interior. De vez em quando estes últimos acabam se encontrando no meio da massa de pessoas desconhecidas. E quando se reconhecem conterrâneos ou descobrem que vieram de cidades próximas a conversa passa a ser outra.
Mesmo para quem, como eu, conviveu com a rotina de cidade pequena apenas nos períodos de férias ou feriados, a lembrança de sensações que só se tem no interior logo vem a tona em poucos minutos de conversa. Outro dia, encontrei uma moradora no Norte do Estado que se mudou com a família para a Capital há pouco tempo. Foi só perguntar se ela sentia saudades de sua cidade que imediatamente começaram a emergir recordações das mangas suculentas do quintal, da jaboticabeira carregada, das conversas de fim de tarde na varanda fresca, onde nos dias mais quentes até joga-se um colchão para um cochilo na brisa. Coisas simples e corriqueiras como a vizinha batendo palma no portão, chegando para tomar um café acompanhado do pão caseiro que acaba de sair do forno.
Em pouco tempo na Capital, o marido já foi assaltado na volta do trabalho. A casa não tem quintal e é alugada. A mudança foi motivada pelo desejo dos filhos de buscar melhores condições de trabalho e estudo. Na falta de renda suficiente para mantê-los fora de casa, a família toda veio para tentar a sorte junta. Aqui há mais empregos, mais cursos, os shopping centers, os cinemas, mas faltam as mangas, as jaboticabas, o quintal, os amigos, a varanda.

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