METROPOLITANA - Violência escolar é reflexo de educação precária
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quinta-feira, 13 de setembro de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Muitas vezes, as escolas saem das páginas de educação dos jornais para ingressarem na editoria policial. São episódios de violência praticada contra os jovens e também pelos jovens contra professores e outros alunos. Essa situação mexe com os nervos de pais e mães, que temem em mandar seus filhos para uma jornada incerta, onde poderão se tornar vítimas - ou algozes - de alguma atitude violenta.
Foi esse temor que levou a operadora de telemarketing Adriana Camargo a tirar seu filho, de 10 anos, da escola estadual Helena Kolody, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Segundo ela, o jovem teria sido agredido mais de uma vez por alunos mais velhos, e esse não seria um caso isolado. ''Tem mais gente que reclama e parece que tem até alguns que vão armados pra aula'', espanta-se a mãe.
A situação do Helena Kolody não é diferente da de muitos dos 2.107 colégios da rede pública existentes no Paraná. Com 2.100 alunos, ele atende a moradores de seis ocupações irregulares em uma região bastante degradada do município, onde não existem ruas asfaltadas, quadras esportiva ou qualquer outro equipamento de lazer. Segundo o diretor da instituição, Adão Aparecido Xavier, em outros colégios, talvez a violência não apareça tanto, pois é ''escondida embaixo do tapete'', o que não acontece na instituição que ele dirige.
Em maio de 2006, após o assassinato de um ex-aluno nas proximidades do colégio, Adão foi à Câmara de Vereadores do município levar o debate sobre a violência. Desse encontro nasceu o Fórum Permanente de Combate à Violência, que promoveu em agosto deste ano sua primeira Conferência Municipal, da qual participaram 400 pessoas, entre diretores de escolas, professores, alunos e pais. A intenção do evento era debater, em conjunto com a comunidade, os motivos da violência e como ela pode ser combatida.
Uma das participantes da Conferência foi a professora Janislei Aparecida Albuquerque, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná (APP Sindicato), que tratou do tema Violência e Educação. Ela conta que em um mapeamento iniciado pela entidade, constatou-se que as escolas que têm maior incidência de violência são aquelas onde as condição são mais precárias, com falta de professores, turmas superlotadas, sem quadras cobertas e em bairros que não têm estruturas de lazer, em suma, onde o jovem fica sem opções. A professora relembra um velho ditado para ilustrar a situação: ''Cabeça vazia é oficina do diabo''. Sem ocupação, o jovem acaba se envolvendo com drogas, gangues e crimes.
Outro agravante, segundo Janislei, seria a questão do consumo, exacerbada pela mídia. ''Os jovens dessas comunidades não têm poder aquisitivo, isso gera frustração e uma série de desdobramentos que podem culminar em violência''.
Para combater esse problema, é preciso ir além dos efeitos e analisar as causas desse comportamento violento. Para Adão, ''é preciso analisar a história desse aluno que comete um ato violento, muitas vezes ele vêm sendo violentado desde o período neonatal por políticas públicas precárias''.
Diagnóstico semelhante têm a Secretaria Estadual de Educação (Seed), que, por meio de sua assessoria, afirmou que ''a atual forma de violência relaciona-se ao caráter da sociedade capitalista e de suas relações. A violência que a escola experimenta e tem como problema origina-se dos processos sociais, ou seja, está na própria sociedade. A escola, como instituição da sociedade, com certeza não está imune ou isenta deste processo''. Para combater o problema da violência, a sociedade precisa trabalhar em conjunto.
''Estamos em uma encruzilhada, vamos escolher se queremos construir mais escolas ou mais prisões'', diz a professora Janislei. Segundo ela, o jovem é o segmento mais frágil da sociedade. ''De cada dez homicídios, sete são contra jovens de 15 a 24 anos. Desses, 70% são negros e pobres, só que eles não aparecem na mídia como vítimas e sim como algozes''.
A juventude, segundo Janislei, é uma das fases mais críticas da vida de qualquer pessoa. É onde mais precisamos fazer escolhas e onde as decisões que tomamos têm mais importância, pois vão definir o tipo de cidadão que seremos daqui a alguns anos. ''Qualquer pessoa que olha para o futuro e não vê esperança fica revoltada'', observa a professora.


