METROPOLITANA - Trabalho em Curitiba, moradia na RMC
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
O movimento de migração das cidades pequenas para as metróples perdura. No Paraná, o destino mais procurado ainda é Curitiba. Até aí nenhuma novidade. A diferença é que esse deslocamento populacional não vem provocando o inchaço populacional correspondente na capital. As pessoas são atraídas pelas ofertas de emprego e possibilidade de ascensão profissional que há em Curitiba, seu local de trabalho. Mas não de residência. Para esse fim, a escolha são os municípios do entorno que formam a Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Basta comparar as taxas de crescimento populacional. Enquanto Curitiba apresenta a taxa de 2,13%, em cidades como Fazenda Rio Grande (10,91%), Campo Magro (5,99%) e Quatro Barras (5,52%) essse percentual é bem superior, segundo o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2000. Uma tendência observada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) é a de cada vez mais o local de residência ficar dissociado do lugar de trabalho.
O levantamento do IBGE identificou que 391,5 mil pessoas se dirigiam a algum município, do Paraná, para estudar ou trabalhar, todos os dias. Esse deslocamento diário, principalmente da população empregada, entre os município de moradia e o local de trabalho é chamado de movimento pendular. Mais de 359 mil pessoas realizam este deslocamento intra-estadual, ou seja, de uma cidade paranaense para outra. E Curitiba é a grande receptora estadual e metropolitana dessa demanda, possuindo um fluxo pendular de 167,4 mil pessoas.
''Observamos em Curitiba ainda o movimento pendular fronteriço com estados como São Paulo e Santa Catarina'', disse a pesquisadora do Ipardes, Marley Deschamps, informando que em breve o instituto vai divulgar um trabalho sobre o movimento pendular no Paraná, em parceria com Instituto do Milênio e CNPQ. Isso viria a justificar porque o maior fluxo pendular de saída na RMC são dos municípios de Almirante Tamandaré, Pinhais, Colombo, Fazenda Rio Grande e Itaperuçu, que funcionam basicamente como cidades-dormitório.
''O maior fluxo de entrada é em Curitiba, cujo principal atrativo são as oportunidades de emprego. Mas aqui não moram devido ao alto custo de vida. Esta é apenas uma hipótese'', explica ela, pontuando que o movimento pendular não é feito só por pessoas de baixa renda. ''Os motivos podem ser variados sofre influências até de novas dinâmicas do setor mobiliário. Há uma intensificação do movimento pendular devido a aglomeração nos centros urbanos. Nem todo mundo pode morar em Curitiba, mas pode trabalhar'', completa ela.
O metalúrgico Willians Rodrigo Soppa, de 26 anos, mora em Colombo, na RMC, e trabalha, há dois anos e meio, como auxiliar de produção numa empresa metalúrgica, na Cidade Industrial (CIC). O jovem, que cumpre jornada de trabalho noturna, das 24 às 6 horas, enfrenta uma viagem longa até a CIC. De carro, ele leva 40 minutos e de ônibus, cerca de uma hora e meia. '' Gosto do que faço, sempre trabalhei em metalúrgica. O que me atraiu foi o salário mais vantajoso, por ser uma multinacional e oferecer muitos benefícios, como plano de saúde e odontológico'', justifica ele.
Willians conta que fez um curso profissionalizante e conseguiu o posto de trabalho através de uma agência de emprego. ''Uma empresa desse porte abre possibilidades para o crescimento profissional. Colombo tem empresas boas, mas para minha área não é tão legal e a remuneração é menor. Foi importante trabalhar nas empresas daqui para ganhar experiência'', pondera Willians, que opera uma máquina que produz, cerca de 200 bombas injetoras, por dia.


