''Para fazer compras, vamos ao centro da cidade.'' A frase é comum e aplica-se em várias realidades e cidades pelo Brasil afora. Mas, quem chegar em Colombo, pode deparar-se com uma situação diferente. ''Aqui, para comprar, é melhor ir lá no Alto Maracanã, que está melhor, com mais opção'', conta a secretária Edina da Cruz.
A mudança ocorreu quando a prefeitura decidiu facilitar a vida dos moradores do bairro, abrindo postos de serviços que antes eram encontrados somente na sede do município. Passou a haver, então, a possibilidade de recebimento de aposentadorias, pedidos de guias de construção na Secretaria de Urbanismo e atendimento na Secretaria de Educação. Os assuntos passaram a ser resolvidos no próprio Alto Maracanã. Os comerciantes de lá comemoraram e até mais lojas foram abertas. Já os do centro...
Dona de uma loja de presentes, Cacilda Santos Prieto confirma em números o que percebe-se pelo fraco movimento das ruas. ''Só não digo que caiu 100% o movimento porque sempre aparece um ou outro freguês. Mas as vendas esfriaram muito depois dessa mudança'', lamenta. Cacilda conta que antes, na época de pagamento, todos os comerciantes do centro ficavam animados. Hoje, segundo ela, é só decepção.
''Não tem mais aquela expectativa que tínhamos, de saber que em alguns períodos a gente ia vender mais. Está tudo muito fraco'', afirma Cacilda. Além do sumiço dos clientes, ela critica também outros problemas que vêm atrapalhando a vida dos comerciantes. ''A questão do imposto é complicada. Você paga para trabalhar. E para piorar, não tem segurança'', protesta, relembrando um arrombamento sofrido no ano passado, que gerou um grande prejuízo.
Vivendo o mesmo drama está Helena Santos. Proprietária de uma loja de artigos religiosos, onde as vendas caíram cerca de 20%, ela revela estar passando o pior momento do estabelecimento, após vários anos de atividade. ''O comércio gira em torno das pessoas, que vêm receber aqui perto, aproveitam para passear e acabam entrando para comprar. Sem esse movimento da prefeitura, ficou tudo parado'', explica.
Despreocupados estão os comerciantes do Alto Maracanã. ''Aqui a população é maior, então as lojas estão sempre cheias. Tanto que estamos expandindo e com projeto de inaugurar mais uma loja'', comemora Rogério Trigo, proprietário de uma loja de roupas. Para o gerente de compras Conrado Valdir, a abertura de postos de serviços da prefeitura influenciou bastante. ''Quem não precisa mais se deslocar acaba gastando por aqui mesmo, então ajuda consideravelmente'', analisa.
A empregada doméstica Ana Garcia confirma. ''Antes eu ia resolver algum problema lá na sede e acabava comprando alguma coisinha. Agora a gente economiza com o transporte, resolvendo as coisas e comprando por aqui mesmo'', revela. Opinião semelhante tem o autônomo Geraldo Mercci. ''Era um transtorno ter que ir até lá, gastar uma gasolina danada. Agora tá mais fácil''. Mas essa mudança na rotina dos consumidores não pode gerar desemprego no Centro? ''Pode sim, mas aí depende da prefeitura e dos comerciantes de lá chegarem numa solução'', completa.
Para a secretária municipal de Indústria e Comércio, Cláudia Polli Rodrigues, a abertura dos novos postos no Alto Maracanã ocorreu para facilitar a vida da grande população do local. Segundo ela, há na secretaria a prioridade em reaquecer o comércio do Centro, mas que ele não pode ficar dependente do fluxo de pessoas que vão até a prefeitura. ''O comércio precisa criar meios para se manter. Por isso estamos investindo no programa VarejoMais, do Sebrae, para que as lojas existentes no Centro se fortaleçam e atraiam mais consumidores'', revela.

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