Para algumas pessoas, chegar à velhice é viver o abandono. Para outras é o momento de desfrutar da companhia dos amigos de longa data e fortelecer os laços familiares. E há aqueles que aproveitam para conhecer outras pessoas e desenvolver habilidades em grupos e em centros de convivência.
Maria Inês de Oliveira, de 65 anos, começou a frequentar o Centro de Convivência Ulysses Guimarães, em Araucária, há seis anos. Ela passou a praticar atividades como caminhada e ginástica para amenizar as dores na coluna e, desde então, já passou pelas aulas de basquete, volei e dança. ''Agora estou firme. Adoro vir aqui, adoro dançar. Sou muito agitada e só quando estou doente fico em casa'', conta. O Centro de Convivência também oferece oficinas de artesanato, cursos de alfabetização, entre outras atividades.
Maria Luiza dos Santos Passos, de 74 anos, participa de quase todas as oficinas. ''Venho de longe, mas vale a pena'', afirma. Maria Luiza, que mora com o marido, não tem contato com os familiares muito frequentemente e aproveita os cursos para se distrair. ''Aqui tem muitas pessoas para encontrar, para conversar. Estou gostando bastante mesmo'', explica.
Fernando Ribeiro de Jesus, de 63 anos, também não perde uma oportunidade. Há três anos ele foi ao Centro de Convivência para acompanhar os amigos e gostou. ''É a melhor coisa que tem. Se ficar em casa só sentado no sofá chega uma hora que você nem consegue andar mais. Lá passamos horas que a gente esquece as coisas do dia-a-dia'', explica Fernando. ''Enquanto eu estiver vivo e as pernas estiverem aguentando eu estou participando'', garante.
Em Curitiba, 124 grupos de convivência de idosos são mantidos pela prefeitura nos nove Núcleos Regionais (Bairro Novo, Boqueirão, Boa Vista, CIC, Cajuru, Matriz, Pinheirinho, Portão e Santa Felicidade). Os participantes se reúnem em espaços dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), ou em outros espaços parceiros na comunidade, para a realização de atividades recreativas, artísticas e de lazer. Há também os Centros de Atividades para Idosos (Catis) com atividades físicas de caráter preventivo, de lazer e socioeducativas.
Para o padre José Aparecido Pinto, superintendente do Centro de Integração do Idoso São Vicente de Paulo e coordenador da Ação Social do Paraná, a questão do envelhecimento é um desafio. ''Nossa sociedade não está preparada para o envelhecer, ninguém pensa no dia de amanhã'', observa. Padre José ressalta que o Brasil, que era um país de jovens, está passando a ser um país dos idosos. O que é positivo pois indica aumento da qualidade de vida, uma das condições para sair do subdesenvolvimento. Mas ainda é preciso valorizar os mais velhos, saber ouvi-los e aproveitar suas experiências. ''Eles têm muito a ajudar, a colaborar com a família. O retrato de uma família você conhece ao ouvir o idoso. Entrar na memória do idoso é uma volta que você dá à história e que revela para nós coisas muito bonitas'', justifica.
Em muitas famílias, entretanto, o tratamento dado aos mais velhos está longe do ideal. Geralda Penha de Araújo, de 83 anos, por exemplo, diz que era maltratada por um familiar até ir viver no asilo São Vicente de Paulo, onde sente-se mais segura. ''Aqui converso com todo mundo, todo mundo é bom. Não tem 'mal querência' com ninguém'', garante a idosa, que perdeu o contato com os filhos. ''Antes eu sentia falta, chorava. Agora não sinto mais. Não tem o que fazer'', explica.
Rosa Aparecida Nilsen, de 97 anos, chegou a ser jogada dentro um poço por um familiar. ''Não tinha uma gotinha de água, cai e me machuquei. Um vizinho me acudiu e me levou para o hospital. Me judiavam muito, vim fugida de lá'', lembra a moradora do asilo, que sorri quando fala sobre a vida no novo lar. ''Aqui não tem briga nenhuma'', comemora.
Mercedes Ferreira do Valls, de 73 anos, também precisou fugir de casa para livrar-se de maus tratos. ''Sofri que nem cachorro'', justifica. Mercedes diz que assim como ela, outras internas sofrem com a indiferença ou sentem-se usadas pelos filhos. ''O que eles mais pensam é em dinheiro. Tem uma lá em cima que os parentes só vêm ver no dia do pagamento para pegar o dinheiro dela'', denuncia.

SAIBA MAIS



Centros de atividades para idosos (Cati) em Curitiba


CATI ENDEREÇO TELEFONE

Boqueirão R. Marechal Floriano Peixoto s/n, Terminal Boqueirão 3286-0804

Boa Vista Av. Anita Garibaldi, 3002, Barreirinha 3354-6928

Itatiaia R. Cidade Laguna, 25, Itatiaia 3314-5056

Camargo R. Paulo Frontin, 434, Vila Camargo 3361-2507

Água Verde Av. Água Verde, 1320, Água Verde 3340-2180

Campo Comprido Av. Eduardo Sprada, 4520, Campo Comprido 3373-4892/3350-3518

Unidade de Atenção ao Idoso Ouvidor Pardinho Praça Ouvidor Pardinho 3321-2703/3321-2701

mockup