Você sabe a origem do nome da cidade onde mora? Muitas pessoas responderiam com um ''não'' a essa pergunta. Na Região Metropolitana de Curitiba, os nomes das cidades refletem a diversidade cultural e étnica do Paraná e do Brasil. As denominações referem-se a fatos históricos, sublinham características regionais marcantes, prestam homenagens.
No ano passado, o projeto Paraná da Gente, da Secretaria de Estado da Cultura, lançou o caderno ''Municípios Paranaenses: Origens e Significados de seus Nomes''. O livro ''Cidades Brasileiras: origem e significado de seus nomes - Paraná'', do pesquisador João Carlos Vicente Ferreira, foi a base do trabalho.
''No Paraná, os nomes dos municípios surgiram dos fatores mais diversos: características geográficas, origem religiosa, homenagem a personagens da história. Na questão dos nomes de origem indígena, os povos guarani, tupi e caingangue tiveram grande contribuição'', destaca Renato Carneiro, professor de História das Faculdades Curitiba e coordenador do projeto Paraná da Gente.
O historiador aponta que a diversidade de denominações acompanhou os três principais momentos de colonização do Estado: o Paraná do sul e do Litoral, com alguns municípios anteriores até mesmo à emancipação; o Paraná do Norte, historicamente recente, fruto da expansão da cafeicultura; e o Sudoeste, de forte influência gaúcha. ''Nesse processo, os nomes tiveram diversas origens. Londrina, por exemplo, foi uma homenagem às raízes dos colonizadores. Já o endereço telegráfico da empresa responsável pelo início da colonização da região Norte foi a origem da denominação Cianorte'', explica o professor.
Carneiro pondera que, embora as origens dos nomes de municípios estejam longe de seguir uma padronização, as denominações não se estabelecem sem a ''consagração popular''. ''Para o nome 'pegar' mesmo, há necessidade de uma concordância tácita dos habitantes. Por exemplo, Morretes (Litoral) teve o seu nome alterado para Nhundiaquara no final do século XIX e a população não 'aderiu'. A denominação anterior foi restabelecida'', diz o professor.
Muitos moradores da Região Metropolitana de Curitiba se interessam em saber a origem dos nomes dos municípios onde moram. João Monteiro dos Santos, de 39 anos, funcionário de um posto de gasolina, mora em Piraquara desde o ano passado e considera que o nome da cidade (''toca do peixe'') foi uma escolha feliz. ''Acho que tem tudo a ver, porque dizem que Piraquara é a capital da água, não é? Fiquei sabendo o que o nome significava depois que me mudei para cá'', explica Santos.
O aposentado Raimundo Dias da Silva, de 47 anos, considera o nome Piraquara ''bonito'', mas faz ressalvas. ''A cidade não representa a beleza do nome. Por ter muita área de preservação ambiental, Piraquara sofre com restrições econômicas. Emprego, aqui, é complicado. O município tem uma área enorme e recebe poucos repasses'', afirma Silva.
Em Fazenda Rio Grande, Maria Lúcia Vitali, de 52 anos, dona de uma lanchonete, preferiu ''chutar'' quando perguntada sobre o que representava o nome da cidade onde mora. ''Acho que aqui tinha uma fazenda e o dono da propriedade era do Rio Grande do Sul, talvez? É um nome esquisito, não é? Poderia mudar.''
A dona de casa Nilza Rocha Moraes, de 37 anos, discorda. ''É um nome diferente, mas a gente se acostuma. Eu gosto. A única coisa ruim é que tem que abreviar quando vai preencher cheque'', diz Nilza. ''Hoje mesmo eu estava lendo sobre a origem do nome Fazenda Rio Grande. Pelo que eu vi, é uma referência indígena. Os índios moravam na beira do Rio Iguaçu e o chamavam de Rio Grande''.

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