METROPOLITANA - MP denuncia danos ao meio ambiente
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quarta-feira, 11 de julho de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Historicamente, a Região Metropolitana de Curitiba sempre teve um grande número de áreas de mineração. Esse tipo de atividade muitas vezes traz consigo danos ao meio ambiente, questão que ganhou muita importância nas últimas décadas. Estariam os mineradores da RMC mais cuidadosos?
O promotor Saint-Clair Honorato dos Santos, da Promotoria do Meio Ambiente, acredita que não. ''Se não houver fiscalização, não há saída. Faltam ações mais rigorosas'', diz Santos, citando como exemplos de situações alarmantes na RMC a poluição atmosférica decorrente da exploração de calcário, as pedreiras desativadas na região do Morro Anhangava e a retirada de areia no Rio Iguaçu.
O Ministério Público já propôs ações judiciais em alguns municípios, como Rio Branco do Sul e Colombo. ''Mas é pouco em relação ao volume de situações e ao tamanho do problema'', afirma Santos.
Em 2004, através de um convênio entre o Governo do Paraná e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), foi lançado um plano diretor de mineração para a RMC. De acordo com o documento, no início da década havia 260 frentes de lavra ativas na região, 12 em implantação e 439 paralisadas. Rio Branco do Sul (148 frentes), Almirante Tamandaré (100) e São José dos Pinhais (68) eram os municípios com o maior número de frentes cadastradas.
Entre as principais minas, destacavam-se os grupos minerais areia, argila vermelha, argila caulinítica, metacalcário calcítico, metacalcário dolomítico, sienito, granito, migmatito/gnaisse, chumbo e zinco.
O plano diretor relacionava uma série de impactos ambientais históricos associados à mineração na RMC, como impacto visual, perda do solo vegetal, desmatamento, poluição de águas, desequilíbrio de fluxo hidráulico de cursos d'água e impactos sociais derivados, como ocupações irregulares e acúmulo de esgoto e lixo após a lavra.
Uma situação que tornou-se notória foi a de Adrianópolis. Durante décadas, a empresa Plumbum, que foi a maior empregadora do município, promoveu a mineração de chumbo na região. Quando foi desativada, na década de 90, a Plumbum deixou um grande passivo ambiental, o que motivou autuações e multa. Uma pesquisa de doutorado da Universidade de Campinas (Unicamp) de 2001 detectou altos índices de contaminação por chumbo em um grupo de 355 crianças avaliadas em Adrianópolis.


