Localizada em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba, a Fundação Educacional Profeta Elias - Meninos de 4 Pinheiros, promove o resgate de crianças e adolescentes em situação de risco social. Mais do que moradia, estudo, comida e saúde, a Fundação devolve aos 80 jovens que lá residem a capacidade de sonhar com um futuro melhor. ''Quando chegam aqui a maioria dos meninos não sabe mais que pode mudar, transformar sua situação'' conta Fernando Francisco de Goes, DE 49 anos, coordenador da Fundação. As vagas na Chácara 4 Pinheiros são destinadas a meninos de 7 a 18 anos que vivem na rua há muito tempo e são usuários de droga, uma realidade que produz indivíduos sem esperança, com baixa auto-estima e descrentes de si mesmos.
Quando morava na rua, L.S., de 14 anos, conta que tinha dificuldade para ler, escrever e respeitar as pessoas. Na Chácara há dois anos e meio, ele faz cursos de inglês, informática e já tem um sonho: ser advogado. ''Acho que tenho futuro para ser'', explica. Ex-usuário de drogas pesadas como crack, cocaína e inalantes, seu destino era fatal no abandono. ''Eu acho que ia estar morto se não viesse pra cá.''
Todos os internos de 4 Pinheiros tem um espaço reservado para seus sonhos. Em um grande salão, existem diversas folhas de papel penduradas com desenhos de profissões. ''Logo que chegam, a maioria quer ser policial, para descontar o que passaram nas ruas, mas aos poucos essa raiva vai mudando'', conta Fernando. Nas paredes, a maioria sonha em ser jogador de futebol, mas também existem juízes, fotógrafos, dentistas, médicos, músicos sertanejos e rappers. Como os meninos passam por lá diariamente, não esquecem suas metas, nem o que devem fazer para atingi-las.
Início difícil A Fundação foi constituída oficialmente em 1991, mas seu embrião veio bem antes. Ex-frade carmelita, Fernando Francisco constatou que a igreja ''falava muito e fazia pouco'' pelas crianças de rua e decidiu abandonar a instituição religiosa, mas não sua vocação para ajudar o próximo. Em 1982 morou em uma favela de Curitiba para conhecer de perto a realidade que desejava transformar. O segundo passo foi a abordagem de moradores da rua para mapear seus problemas. Este caminho não foi fácil, chegou a ser preso por denunciar policiais que agrediam os menores e também sofreu ameaças de traficantes.
Em 1991, um projeto social da Alemanha destinou à Fundação 75% dos recursos para a construção de uma Chácara, que seria distante do convívio com as drogas e possibilitaria aos jovens o contato com a natureza. O restante dos recursos foi doado por uma empresária curitibana já falecida.
Por dois anos foram feitas reuniões em Mandirituba para preparar a comunidade para a vinda dos meninos e em outubro de 1993 foi levado o primeiro grupo, com seis jovens, para a Chácara de 4 Pinheiros. Estes seis primeiros voltaram para as ruas e trouxeram, cada um, um amigo, formando então um grupo de 12 internos, que se organizaram para ampliar as acomodações de forma a receber mais membros.
Quando já abrigava 26 meninos, um grupo da Suíça visitou a instituição e doou recursos para a aquisição de terras e a construção de mais uma casa. A última ampliação foi a construção de um barracão, com o auxílio financeiro de empresários de Curitiba, que possibilitou à Fundação Profeta Elias abrigar 80 jovens.
O trabalho desenvolvido na Chácara 4 Pinheiros já foi objeto de estudo de teses de doutorado na Espanha e na Suíça, e foi apontado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das melhores iniciativas neste segmento.

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