METROPOLITANA - Fãs de esportes radicais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
De férias há poucos dias, os amigos Thomas Vieira Matos, de 18 anos, e Caio Bertomeu, de 17 anos, já sabem como aproveitar o tempo livre: treinando novas manobras de skate. O esporte radical, que é um dos mais populares no País, ganha a cada dia mais adeptos em Curitiba, onde a demanda estimada é de 15 mil pessoas. Já existem na cidade 15 pistas públicas específicas para a prática do esporte. ''É mais acessível do que ir para a praia. Não precisa gastar nada para treinar, só ter o skate'', destaca Thomas, que cursa o 3º ano do Ensino Médio e há oito anos anda de skate.
Os rapazes costumam frequentar a pista da Praça do Gaúcho, no bairro de São Francisco, perto da residência deles. ''Aqui em Curitiba são realizados muitos campeonatos porque o skate já é bem difundido. É um esporte que dá resistência física e te desafia a sempre evoluir nas manobras'', disse Thomas, contando que os pais o incentivam a praticar o esporte. ''Durante as aulas venho aqui só duas vezes na semana, mas nas férias venho todos os dias. Nem vejo o tempo passar porque a vontade de melhorar a técnica é grande'', explica Caio, que leva a namorada junto para a pracinha.
''Gosto do skate porque ele une pessoas com as mesmas idéias e de todas as idades. Venho pra cá e sempre encontro a galera amiga'', justifica Caio, informando que o horário que a pista fica mais cheia é à noite. Outras vantagens dos esportes radicais é adrenalina e emoção que provoca nos praticantes. Ainda mais se pela frente se tem um paredão a ser escalado. Haja força nos pés e nas mãos, controle da respiração e senso de estratégia para chegar ao topo do muro.
No Centro de Esportes e Lazer, do Bairro Novo, foi instalado o primeiro muro público de escalada do Brasil. Desde que foi inaugurado, há um pouco mais de um ano, a família do supervisor de produção Everaldo de Lara, de 35 anos, pratica escalada. Além da esposa, as duas filhas adolescentes Amanda, 14 anos, e Anna Caroline, 12, se dedicam ao esporte, semanalmente. ''Sempre fizemos tudo em família. Começamos a praticar escalada para incentivar as meninas. Já fizemos capoeira e ginástica'', conta o pai.
''O que nos move a escalar o muro é o desafio. Outras vantagens é que precisamos do trabalho em equipe para praticar o esporte. O elo entre pai e filho pode mudar de situação, por exemplo, ao escalar pode ser a Amanda a responsável pela minha segurança'', explica Everaldo, citando ainda a necessidade de concentração, planejamento e auto-controle para fazer escalada. ''Ainda tenho muito medo e acho difícil'', confessa a caçula, Anna Caroline.
Já Amanda, a mais velha, apresenta talento para praticar o esporte e até participou de campeonatos locais. ''É um esporte bem radical e ainda quero me dedicar mais para participar de campeonatos. É preciso ter resistência e aprender a colocar o peso do corpo mais nas pernas e usar as mãos para apoio'', ensina a garota, completando que gosta ainda mais de rapel. No Centro de Esportes e Lazer do Bairro Novo as aulas são desenvolvidas por instrutores profissionais voluntários, das quais participam 30 pessoas.
A partir dos seis anos a criança pode praticar a escalada. A idéia é escalar o muro seguindo as vias indicadas pelos instrutores, que são caminhos sinalizados nas agarras (apoio para as mãos e pés). É importante usar os equipamentos de segurança: cadeirinha, cordas, sapatilhas e proteções - no caso, tudo é fornecido pela Prefeitura. ''A escalada ainda é um esporte pouco divulgado no Brasil. É excelente para desenvolver resistência física, agilidade, raciocínio rápido e coordenação motora. O objetivo final é praticar junto à natureza'', explica o instrutor Adriano de Freitas, que é da Associação de Escalada Esportiva do Paraná.


