O aquífero Karst continua sendo uma dor de cabeça para dezenas de moradores da Região Metropolitana de Curitiba. Especialmente em Colombo e Almirante Tamandaré, várias famílias atribuem rachaduras, buracos e outros problemas estruturais em residências à exploração do aquífero pela Sanepar.
''A Sanepar iniciou a exploração maior do Karst em 1992. Desde então, várias pessoas estão sofrendo para que seja fornecida água para Curitiba'', diz o ambientalista Valter Johnson. O advogado Rubens Sundin Pereira representa seis famílias de Almirante Tamandaré que ingressaram com ações judiciais contra a Sanepar.
''Quase 100% das casas do município estão em cima de cavernas. Boa parte da água dessas cavernas é bombeada e, como o solo aqui é frágil, sem água fica comprometido. As casas vão rachando e se deteriorando'', diz Pereira. O advogado aponta que as ações das seis famílias que ele representa foram protocoladas no início desta década. ''Uma conseguiu judicialmente o direito a indenização, mas a Sanepar recorreu'', afirma o advogado.
Pereira cita que, além dos danos em residências, a exploração do Karst provocou estragos em duas escolas, que tiveram que ser interditadas. O advogado diz que várias famílias de Almirante Tamandaré receberam indenização, mas que muitas outras ainda esperam. ''Não dá para saber os números exatos, pois a Sanepar não informa'', aponta Pereira.
A desempregada Roseli de Lima, moradora do Jardim Monte Santo, diz que desde o início da exploração do aquífero já ocorreram vários problemas estruturais na casa dela: buracos no quintal, rachaduras nas paredes, dificuldade para fechar portas e janelas. Ela afirma que acionou a Sanepar judicialmente, mas ainda não obteve resposta.
''Há uns oito anos, aqui em casa, a gente estava recolhendo o carro e uma das rodas afundou no quintal. Felizmente, conseguimos tirar o carro, mas quando a roda saiu, o chão terminou de ceder. Desde então, de tempos em tempos, a gente tem que fechar o buraco. Tínhamos uma (cadela) rottweiler e um dia ela caiu lá dentro. Tivemos que puxá-la com uma corda'', conta Roseli. Ela diz que só não se muda da região porque não consegue vender a casa. ''Ninguém se interessa'', lamenta.
Em novembro de 2005, a Sanepar informou que construiria uma Estação de Tratamento de Água e Captação no Rio Barigui na região central de Almirante Tamandaré para desativar os cinco poços do aquífero Karst localizados na área urbana do município. O compromisso foi assumido com a assinatura de um termo de ajuste de conduta, em audiência junto ao Ministério Público. À época, a empresa estimou um prazo de cinco anos para desativação dos poços.
Em 2001, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enviou uma notificação de infração à Sanepar, por supostamente não ter concluído um estudo de impacto ambiental nem obtido licença para bombear água do Karst. O governo federal estipulou multa de R$ 1 milhão.
Entretanto, apenas recentemente, no final de junho, o Ibama cobrou o pagamento. Segundo a superintendência regional do instituto, o prazo para a Sanepar pagar a multa venceria no dia 17 de julho. Depois disso, o valor provavelmente seria inscrito em dívida ativa.

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