A satisfação de Adrieli Rodrigues, de 10 anos, é sentida em cada movimento, em cada gesto. Os olhos brilham, o sorriso aparece. Enquanto diverte-se nas atividades da Vila da Cidadania, a menina aprende valores que serão fundamentais no seu futuro. ''Já sei que não pode atravessar fora da faixa de pedestres, que não pode gritar no meio da rua e é preciso tomar cuidado com os carros. E também aprendi como funciona o banco'', conta a garota.
A Vila é o projeto desenvolvido pelo Instituto BS Colway Social, em parceria com a Prefeitura de Piraquara. A proposta é levar aprendizado e exercitar a convivência em sociedade, além da prática política para formar cidadãos conscientes e preparados para atuar futuramente na vida cívica. Hoje são atendidos 10.800 alunos de 1 a 4 série do ensino fundamental.
A estrutura é grande. Em um terreno de 50 mil m2, 3 mil m2 de área construída se divididem em quatro pontos de interesse, formando os fundamentos da vida em sociedade. Os prédios reproduzem com perfeição espaços públicos e privados que podem ser encontados nas cidades, como Prefeitura, Câmara de Vereadores, Fórum, Ouvidoria e Escola de Administração Pública, representando a ação política. Há também o pólo de meio ambiente, com oficina de reciclagem, horto botânico, mini-estação de tratamento de água, horta e posto de saúde.
Na área da cultura, os destaques são o museu, a biblioteca, brinquedoteca, casa da família, centro cultural e centro de comunicação. O empreendedorismo também não fica de fora, desenvolvendo habilidades e talentos comerciais das crianças. Na rotina, elas aprendem a administrar estabelecimentos como supermercado, banca de jornal, agência bancária, lojas e indústria.
Quinzenalmente, os alunos trocam as aulas na escola por um período de aprendizado na Vila. E a cada visita, uma nova ação. ''Hoje é bastante difundida a idéia do 'ter' e não do 'ser'. E aqui nós podemos mostrar que vale a pena ser diferente'', explica a supervisora da Vila da Cidadania, Ana Lúcia Gallieri, que afirma estar, depois de 21 anos na profissão, sentindo-se realizada pela primeira vez.
''Os sorrisos que elas dão e os exemplos que elas aprendem e difundem acabam sendo um estímulo diário para os instrutores. Posso transmitir para eles aqueles valores importantes que aprendi com os meus pais'', comemora, citando um episódio ocorrido com uma das turmas. ''Um dos diretores da empresa estava caminhando até a Vila e parou para conversar com as crianças, perguntando o que elas tinham aprendido naquela tarde. Elas falaram, entre outras coisas, terem aprendido que não podia andar no meio da rua, como ele estava fazendo'', relembra, com bom humor.
E outras provas mostam que trabalho realmente vem dando certo. Sandrieli Pereira, 8 anos, está participando das atividades desde o começo, em outubro do ano passado. Na lista de bons exemplos aprendidos, estão dicas como lavar as mãos antes das refeições, ajudar as outras pessoas e só jogar papel no lixo. E como aprender e brincar são grandes parceiros nesta metodologia, Sandrieli conta o que tem despertado sua ansiedade para as próximas visitas. ''Não vejo a hora de andar naquelas bicicletas grandonas'', revela, referindo-se às bicicletas que ajudam na abordagem das regras de trânsito. Geisse Fagundes, 10 anos, está ''de olho'' em outro local: a brinquedoteca. ''É que lá tem várias fantasias'', revela.
Para o diretor de assuntos corporativos da BS Colway, Ozil Coelho Neto, o projeto se destaca por aprofundar as noções de cidadania, substituindo o mero assistencialismo pelo conhecimento de bons exemplos, que vão estimular as crianças a crescerem e buscarem seus objetivos. ''Elas vão ter base para saber o que é bom ou ruim. Se, no futuro, alguém vier tentar levá-las para um caminho não recomendado, elas vão ter capacidade para medir e contestar'', prevê, sentindo-se bastante realizado com as ações. ''Você faz parte de uma mudança que irá transformar o futuro de toda a cidade'', emociona-se.

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