Duas vezes por semana, às terças e quintas pela manhã, a dona de casa Vilma Alves de Moura sai do bairro Uberaba e viaja de ônibus por cerca de meia hora para levar a filha Talita Moura de Oliveira, de 7 anos, às aulas de ginástica olímpica na Praça Oswaldo Cruz, no Centro.
A infra-estrutura do local, que é cercado por grades e passou a contar, recentemente, com um Núcleo de Proteção do Cidadão, inclui pistas para caminhada e corrida, quadra de esportes coberta, piscina para aulas de natação e parquinho. Ali, em um dos locais mais movimentados da capital, funciona o Centro de Esporte e Lazer Dirceu Graeser.
Áreas como essa despertam a atenção da comunidade. ''Gosto dessa praça, mas quando trabalhava aqui perto, nem notava. Agora, como trago a minha filha, vejo como ela é importante. Eu me sinto bem segura aqui'', comenta Vilma Moura. E quando se identifica com o espaço urbano, a população tende a cuidar e exigir que as autoridades - no caso, municipais - mantenham as áreas em bom estado.
No bairro Boqueirão, a vizinhança pode usufruir da Praça Agostinho Legró, inaugurada em 1992, graças ao empenho da líder comunitária Ângela Wosny Borba. Ela, que já foi enfermeira, cabeleireira e governanta, assumiu a associação de moradores do lugar para alcançar um objetivo: transformar em área de lazer um terreno de dez mil metros quadrados, na Rua Pastor Carlos Frank, onde, segundo ela, seria construído um clube particular.
''Quando mudei para cá meus filhos já eram grandes, mas eu via que as crianças dos vizinhos não tinham onde brincar. Resolvi fazer alguma coisa'', conta ela, que, agora, promove um abaixo-assinado reivindicando para a praça do Boqueirão uma piscina. ''Seria bom para as atividades do pessoal da Terceira Idade, igual a que tem na (Praça) Ouvidor Pardinho'', informa Dona Ângela, como é chamada até por funcionários da prefeitura. ''Ah, eu ligo mesmo pra lá. Quando surge algum problema, se quebra alguma coisa, eu recorro a eles'', diz, consciente da função de ''guardiã'' que lhe foi atribuída.
Enquanto nas cidades menores, a praça, junto com a igreja matriz, é normalmente, o ''coração'' do lugar - onde são realizadas as principais manifestações e festividades -, nas metrópoles, elas são como ''respiradouros'' em meio ao caos. Privilegiados, os moradores de Curitiba contam com 438 praças, de um total de 950 áreas verdes.
Em alguns locais ainda é possível parar por instantes para simplesmente ''ver o movimento''. Há quem procure as praças para a prática de atividades físicas, como caminhada e corrida, mas há também quem ainda recorre aos bancos para descansar, namorar, ler o jornal ou um livro. E aqueles que encontram na praça um ótimo passatempo.
As amigas Alice Gruba, Vanessa Costa, Tamara Muniz e Cláudia Desly, de 16 anos, estudam para o vestibular em um cursinho perto da histórica Praça Osório, no Centro, onde está instalado o relógio que marca a hora oficial da cidade. Nos dias de prova, elas aproveitam o intervalo para jogar cartas, usando as mesinhas e os bancos originalmente projetados para jogos de dama e xadrez.
''Durante o dia aqui é tranquilo. Ninguém nunca incomodou a gente. Mas, é comum ver um pessoal desocupado, que usa droga e fica bebendo por aqui'', comenta Vanessa. Ela, que mora na Vila Guaíra, garante que também frequenta a a praça do lugar. Assim como as colegas, que moram em lugares distintos - Cristo Rei, Capão Raso e Sítio Cercado - Vanessa considera as praças ''muito importantes'' para os bairros. ''É legal no fim de semana, algumas têm pistas de skate. Eu gosto'', acrescenta Alice.
Embora não haja estatísticas sobre o assunto, acredita-se que a maioria dos frequentadores das praças da cidade mantenha atitudes civilizadas em relação aos espaços públicos. A minoria, porém, acaba sendo responsável pela destruição de equipamentos instalados nas áreas de lazer. Todo ano, a prefeitura gasta, em média, R$ 1 milhão com a reposição e recuperação de brinquedos, bancos e traves de futebol, entre outros.
Os casos de vandalismo representam um desafio a mais para o trabalho das arquitetas Denise Mitchiko e Loreley Motter, da secretaria municipal de Meio Ambiente, responsáveis por projetos de revitalização das praças da cidade. ''Os brinquedos dos playgrounds poderiam ser de plástico, mais confortáveis para as crianças, mas se instalarmos esse material, não vai durar'', comenta Loreley, que diz sentir-se ''frustrada'' ao perceber que equipamentos recém-instalados são alvo de vândalos.
Na Praça da Suíça, no Cabral, que passou recentemente por obras de recuperação, a cobertura de uma antiga fonte teve de ser retirada porque tornara-se abrigo para moradores de rua. ''Colocar apenas uma área de lazer não basta. É preciso toda uma estrutura (para que não haja destruição), educação e cultura'', argumenta Denise Mitchiko.

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