METROPOLITANA - Criminalidade gera polêmica em Fazenda Rio Grande
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
A indignação explodiu em Fazenda Rio Grande no final de janeiro. Após a morte do motorista Ricardo Germano Hopaloski, de 40 anos, assassinado durante um assalto em um ônibus do transporte público local, um protesto por mais segurança interditou por horas a BR-116, um dos trechos rodoviários mais movimentados do Brasil.
Pressionado, o poder público reagiu. Através de uma parceria entre as polícias Civil e Militar, a Guarda Municipal e outras instituições, incluindo o Poder Judiciário, a segurança foi intensificada na região. O efetivo e a estrutura do policiamento foram reforçados. Motoristas e cobradores foram instruídos sobre contatos para prestarem informações sobre as ocorrências com a maior rapidez possível. Policiais foram infiltrados em grupos criminosos. Operações especiais e abordagens se tornaram mais comuns.
Segundo Valdir Bicudo, superintendente da Delegacia de Fazenda Rio Grande, foram presas 16 pessoas (destas, 13 maiores de idade) que formariam a quadrilha que realizava assaltos em ônibus. ''O número de ocorrências desse tipo diminuiu de quatro por dia para uma por semana'', garante Bicudo.
O superintendente informou que esse trabalho reforçado, iniciado no dia 5 de março, provocou a redução de outros índices. Nos primeiros 60 dias de ação, segundo o policial, ocorreu apenas um homicídio em Fazenda Rio Grande. ''A situação melhorou. Para se ter uma idéia, de 4 a 10 de maio, tivemos no município os Jogos Escolares, um evento que mobilizou aproximadamente 3 mil pessoas, e não foi registrado nenhum furto de carro, nenhum roubo, nenhum assalto'', diz Bicudo.
Haroldo Isaak, diretor das empresas Leblon e Nobel, responsáveis pelo transporte urbano e metropolitano em Fazenda Rio Grande, concorda com a afirmação de que a segurança aumentou. ''Nos primeiros 15 dias de maio, não ocorreu nenhum assalto nas linhas internas de Fazenda Rio Grande. Foi registrada apenas uma ocorrência em um ônibus que faz a linha Fazenda Rio Grande - Curitiba'', afirma Isaak.
João Carlos Mesquita, segundo tesoureiro do Sindicato dos Motoristas e Cobradores da Região Metropolitana de Curitiba, elogia o trabalho intenso que está sendo desenvolvido, mas faz críticas. ''Infelizmente, tem que acontecer alguma tragédia para que o poder público tome providências. O número de assaltos em ônibus diminuiu. Seria bom se a gente conseguisse zerar, mas é complicado. O que a gente escuta muito é que ainda ocorrem muitos assaltos em mercados, farmácias, residências'', pondera o tesoureiro.
Bicudo assegura que o reforço na segurança será mantido em Fazenda Rio Grande. ''Esse trabalho específico continua e não tem prazo para terminar. Não se pode deixar esmorecer, senão vamos vivenciar de novo aquelas situações de violência''.


