Ao contrário de alguns antigos ofícios que desaparecem na ''queda de braço'' com a fabricação em série e o capitalismo, os luthiers (em francês) ou lutaios (em italiano) ganham espaço e reconhecimento no universo musical, no Brasil e no Exterior. Os luthiers são profissionais especializados na arte da construção e reparo de instrumentos musicais de corda, sopro, arco e percussão. Eles fazem desde o projeto de um violão, por exemplo, a escolha, compra e corte de madeira de alta qualidade e aplicação de cordas e de dezenas camadas de verniz. Processo de fabricação que pode durar em torno de um ano.
''Não conheço um luthier, de verdade, que tenha escolhido a profissão. O artesão, quando se dá conta já está fazendo o trabalho. A nossa proposta é superior a de um instrumento de fábrica. Desde a escolha da matéria-prima e controle de massa, a entender um pouco de engenharia, ao talento de talhar de acordo com a espessura da madeira'', resume o luthier gaúcho Leandro Mombach, de 42 anos, que mora em Curitiba desde 1993, quando inaugurou seu ateliê de lutherie (luteria), num sítio em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba.
O luthier fabrica e restaura instrumentos da família dos arcos, violão e outros instrumentos dedilhados. ''Trabalho para músicos, museus e colecionadores até do exterior, e com instrumentos antigos, de 200, 300 anos'', mostrou ele, que guarda com zelo, o seu 50º instrumento manufaturado, uma viola com detalhes em ouro. ''A melhor divulgação do nosso trabalho é de boca em boca mesmo, ou melhor de ouvido em ouvido'', brinca Leandro Mombach, contando que o reparo de um instrumento pode levar até um ano, enquanto que a construção de seis a quatorze meses.
''Para a preservação da madeira, aplicamos receitas caseiras usadas há mais de 500 anos. O verniz, aplicado em quase 30 camadas, também não é comprado, eu mesmo preparo'', esclarece o gaúcho, dizendo que não ''toca nada'', mas só ao ouvir a execução de uma música é capaz de descobrir os problemas de desempenho do instrumento. ''Na Itália, o luthier pode cobrar até 10% do valor do instrumento numa restauração. Aqui no Brasil a gente faz mais barato e com qualidade, por isso, somos procurados também pelos estrangeiros'', raciocina.
Mombach deu os primeiros passos na profissão ainda na adolescência, mais foi em 1984, em Porto Alegre, que se tornou aprendiz do mestre luthier Carlo Minelli. Depois estudou na Escola de Lutherie de Tatuí, em São Paulo, mas que segundo ele, não é tão bem estruturada. Entre os anos de 1988 e 1993, morou na Itália, onde se formou em Gubbio na Região da Úmbria. ''No Brasil, profissionais existem muitos, mas com formação mesmo, são poucos, a maioria é autodidata. Acredito que se aprende sozinho a construir um instrumento, mas dentro da restauração ele fica despreparado'', defende.

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