Uma pesquisa realizada recentemente pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base no Censo Demográfico de 2000, levantou um dado curioso: quase metade dos moradores de Curitiba (47,7%) nasceram em outras cidades. No momento em que o IBGE concluiu seu levantamento, eram 756.799 ''imigrantes'' contra 830.517 nascidos na capital paranaense.
Este tipo de informação levanta uma série de questionamentos: De onde vieram estas pessoas? Por que escolheram Curitiba como destino? Para onde foram os curitibanos que daqui saíram?
De acordo com a pesquisadora do Ipardes, Marisa Magalhães, o povo brasileiro é migrante por natureza. A presença de grande número de pessoas oriundas de outros lugares é comum nos grandes centros. O Paraná, por ser uma unidade relativamente nova da federação (era uma província de São Paulo até 1853), experimentou mais tarde este fenômeno. Segundo ela, nos anos 30 e 40, houve uma grande atração de pessoas para o estado, movimento inverso passou a ocorrer nas décadas seguintes, quando o estado passou a ''exportar'' pessoas.
Segundo Marisa, na década de 70, o Paraná foi o estado que mais expulsou população. Em contrapartida, nesta mesma década, a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) foi a que mais cresceu no Brasil. Esta região, aliás, é o atual destino da grande maioria das pessoas que buscam oportunidades na capital paranaense. Entre 1995 e 2000, a RMC recebeu 133 mil pessoas do interior do Paraná e 96 mil de outros Estados. Neste mesmo período, 115 mil pessoas trocaram de lugar dentro da própria região e apenas 113 mil pessoas deixaram a RMC. Dados mais atualizados virão em agosto, quando o Ipardes divulgará o resultado de uma pesquisa que está sendo feita atualmente sobre o fenômeno migratório na RMC.
Segundo dados do Ipardes, entre 1991 e 2000 a taxa média anual de crescimento da população de Curitiba foi de 2,13%, enquanto que os municípios da RMC cresceram em níveis bem mais elevados: Fazenda Rio Grande (10,91%), Campo Magro (5,99%), Quatro Barras (5,52%), São José dos Pinhais (5,43%), Colombo (5,09%), Pinhais (3,55%). ''A Região Metropolitana é um polo migratório, tanto de ganho quanto de perda de população'', explica Marisa.
Os motivos para este tipo de movimento populacional são muitos: oferta de empregos, falta de perspectivas econômicas em outros centros, busca de qualidade de vida, variações no mercado imobiliário e muitos outros.
De acordo com a pesquisadora do Ipardes, na maioria dos casos as pessoas migram para locais próximos, de onde podem voltar facilmente. No caso do Paraná, a maioria dos imigrantes vêm de estados vizinhos, como Santa Catarina e São Paulo. Dos 131 mil pessoas que vieram de São Paulo para o Paraná entre 1991 e 2000, 34% fixaram-se em cidades do norte paranaense, próximas à divisa entre os dois estados, como Londrina e Maringá.
No entanto, Marisa faz uma observação sobre esses números. Muitos dos que saem de Curitiba não são curitibanos, e outros que vêm à capital paranaense são curitibanos que passavam uma temporada fora da cidade. Deste forma, alguns dados relativos à migração podem confundir. ''Mais importante é saber os motivos desses movimentos populacionais'', afirma.

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