METROPOLITANA - Borges Inverno sem racionamento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de maio de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Com a chegada do outono, uma das estações mais secas do ano, o fantasma da estiagem e do racionamento volta a assombrar os moradores de Curitiba e da Região Metropolitana (RMC), que no ano passado sofreram com a falta de água. Mas não há motivo para alarde, diz o Sistema de Meteorologia do Paraná (Simepar). O clima seco não deve se repetir em 2007, que começou bem mais úmido que o ano anterior, garantem os especialistas.
Em 2006, a falta de chuvas levou a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) a instituir um rodízio no fornecimento de água, entre 4 de agosto e 19 de setembro nos bairros da região norte da cidade, abastecidos pelos complexos do Iraí e Piraquara. A região sul, abastecida pela barragem do Passaúna, não foi afetada. Além de Curitiba, parte das cidades de Pinhais, Almirante Tamandaré, Colombo e São José dos Pinhais foi incluída no rodízio.
Segundo os técnicos do Simepar, 2006 foi um ano atípico, com volume de chuvas bem abaixo da média histórica. Em maio do ano passado choveu apenas 20 milímetros (20 litros de água por metro quadrado), quando o volume normal para este mês é de 120 milímetros. A avaliação da empresa Climatempo, também segue neste sentido. Segundo ela, a estiagem iniciada em janeiro de 2006 prolongou-se pelo outono e inverno. Entre outros fatores, o resfriamento acentuado das águas do Oceano Pacífico - fenômeno conhecido como La NiÀa - foi um dos responsáveis pela falta de chuvas no sul do Brasil.
De acordo com o Simepar, em 2006, até as chuvas de verão, estação mais abundante, ficaram abaixo da média, com 114.01mm, contra 196mm deste ano. Na avaliação de André Madeira, meteorologista do Climatempo, quando as chuvas de janeiro e fevereiro são fracas, é comum que o restante do ano seja seco. Como este cenário mudou em 2007, a expectativa é que a estiagem não seja tão severa quanto foi no ano passado.
Segundo o gerente de produção da Sanepar para Curitiba e RMC, Paulo Raffo, o rodízio no abastecimento e as campanhas educativas conduzidas no ano passado reduziram em 15% o consumo de água na capital paranaense. Até março de 2007, o consumo continuou 5% abaixo do normal, sinal de que os curitibanos aprenderam a lição de economia. Conforme Raffo, este percentual representa 400 litros por segundo e poderia abastecer 40 mil ligações residenciais. No entanto, com o fim das férias e a volta às aulas, em março o consumo de água voltou ao patamar normal, de 8 mil litros por segundo.
Mas alguns consumidores mantiveram os hábitos econômicos que desenvolveram durante a época de racionamento. Moradora do Tarumã, um dos bairros atingidos pelo rodízio, a dona de casa Elizabete Ombrelino continua aproveitando a água da roupa suja para lavar a calçada. A utilização racional repercute no bolso. ''Antes eu gastava uns 70 reais de água, agora gasto 30'', conta ela, que afirma que continuará a economizar, mesmo que o líquido não falte. Sua vizinha, Adelina Morais, revela que sempre se preocupou em economizar. Com banhos rápidos e outras formas de conter o desperdício, ela nem sentiu os efeitos do racionamento.
Conscientizar os consumidores que é preciso economizar água é mais fácil hoje em dia. Segundo o gerente da Sanepar, ''o cenário mundial com aquecimento global e mudança climática ajuda a população a compreender a necessidade de utilizar a água racionalmente''. Mesmo assim, Raffo não descarta a possibilidade de campanhas educativas e rodízio no abastecimento caso as chuvas decepcionem novamente.
OS NÚMEROS
Volume de chuvas nos primeiros meses do ano:
Meses 2006 2007
Janeiro 114 mm 196 mm
Fevereiro 143 mm 134 mm
Março 129 mm 131 mm
Abril 17 mm 92 mm
Fonte: Simepar
DICAS PARA ECONOMIZAR
Para que a água não volte a faltar em sua torneira, é bom adotar alguns hábitos simples para o consumo consciente deste recurso:
- Reduza o tempo dos banhos, 10 minutos são suficientes
- Feche a torneira enquanto faz a barba ou escova os dentes
- Nunca jogue cigarros, absorventes ou papéis no vaso sanitário, haverá maior consumo de água para mandar esse lixo embora
- Lavar o carro, nem pensar. Se for imprescindível use apenas a água de um balde pequeno
- Para lavar louça, não deixe as torneira aberta. Feche a cuba da pia, encha de água, ensaboe toda a louça e enxágue com água limpa
- Procure usar a capacidade máxima da máquina de lavar roupas. Não lave roupas todos os dias. Espere acumular
- A água que fez o último enxágue das roupas, no tanque ou na máquina pode ser usada para ensaboar tapetes, tênis e cobertores. Também serve para molhar plantas, lavar carro, pisos e calçadas
- Vazamentos são os grandes vilões do desperdício. Verifique se a válvula de descarga está funcionando perfeitamente, se não há manchas de umidade nas paredes e calçadas e também se todas as torneiras estão vedando adequadamente
- Quando você for viajar, feche o registro do cavalete de entrada d'água
Fonte: Sanepar


