Não são só as nove árvores tombadas pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural do Estado que têm algum tipo de proteção. Curitiba tem outras 27 árvores, que desde 2001, graças ao Decreto 21/2001 são consideradas ''imunes de corte''. Assim como as árvores tombadas só podem ser podadas, cortadas ou passar por manejo com devida autorização do órgão estadual, as árvores imunes de corte também têm proteção especial.
Os motivos são parecidos com os declarados no processo de tombamento. Seja por sua localização, porte, espécie, raridade, beleza, histórico ou relação com a comunidade, essas árvores são consideradas de interesse especial. O Decreto 21/2001, do então prefeito Cassio Taniguchi declara, na verdade, 21 árvores imunes de corte. O que ocorre é que alguns itens abrangem mais de uma árvore do mesmo tipo na mesma localidade (leia nesta página).
A coordenadora de Patrimônio Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, Rosina Parchen, explica que a tendência é que não ocorram mais tombamentos de árvores. ''Hoje nós temos um nova percepção. A árvore é um ser vivo, que nasce, vive e morre. Um tombamento deve significar a preservação de um bem para sempre e uma árvore um dia vai deixar de existir'', explica.
A última árvore tombada pelo Patrimônio foi a Ceboleira, que fica no edifício Lagos Andinos, na Rua Professor Assis Gonçalves, Água Verde. Isso aconteceu em 1990. Os outros tombamentos aconteceram em 1988 (Carvalho de São Mateus do Sul), em 1977 (quatro Tipuanas que estão na frente da Secretaria Estadual de Cultura), e em 1974 (Angico Branco, Corticeira, Paineira e a Tipuana do Bom Retiro). Depois disso, o último ato oficial de proteção a árvores foi o decreto municipal de 2001.
Segundo a engenheira agrônoma Miriam Rocha Loures, responsável pela manutenção do patrimônio natural, a idéia é não tombar mais árvores isoldamente, apenas ecossistemas. ''Em um ecossistema, como um bosque, um parque ou uma ilha acontece normalmente uma renovação das espécies, e aí é prossível haver o tombamento'', diz, citando como exemplo a Serra do Mar e o Passeio Público.
Se a beleza das árvores tombadas e imunes de corte é uma unanimidade entre a população, a manutenção dessas espécies é também uma preocupação constante para os moradores mais próximos. Em função da idade avançada das árvores, alguns temem pelo estado de saúde delas. Mas a maior reclamação refere-se à burocracia para a obtenção de autorização de pequenos serviços, como a poda das árvores.
''O problema é que eles tombam, mas não cuidam. Moro há cinco anos aqui e nunca veio ninguém fazer manutenção. Já caiu galho de árvore em carros, já solicitei para podar várias vezes, e nada. Eu acho que a manutenção tinha que acontecer de tempos em tempos, automaticamente'', reclama Sueli Gonçalves, que tem o muro de sua residência colado à Corticeira da Rua Carmelo Rangel.
''A única que não gosta da árvore sou eu'', brinca a auxiliar de limpeza Maria Vani Bueno de Souza, que trabalha no prédio da Água Verde, onde está a Ceboleira. A grande árvore, segundo ela, resulta em trabalho dobrado na época de queda das folhas. ''Chego a pegar cinco a seis sacos por dia. Às vezes tenho que varrer até mais de uma vez numa manhã'', diz.
Já a moradora Edna Catiste Fruberger, que mora no sétimo andar, diz que em dias de vento forte chega a ficar com medo. ''Quando chove forte, caem alguns galhos, ela balança bastante. Minha filha sempre tem medo'', conta.
De acordo com Rosina, a manutenção das árvores tombadas é feita periodicamente, sob supervisão da engenheira agrônoma responsável pela área dentro da Coordenadoria. Em 2000, uma comissão formada por técnicos da Faculdade de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR) fez uma análise fitossanitária mais aprofundada de todas as espécies. É feito, ainda, o monitoramento anual.
Qualquer intervenção nas árvores tombadas e imunes de corte precisam de autorização. No primeiro caso, da Coordenadoria do Patrimônio Cultural e, no segundo caso, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A execução do serviço, no entanto, como no caso de outras árvores, caberá ao proprietário. O Decreto Municipal também prevê que as árvores imunes de corte serão vistoreadas a cada dois anos por uma equipe técnica, que deve emitir um relatório sobre a situação fitossanitária delas, cabendo à Secretaria a manutenção dessas espécies.
Na análise feita em 2000, constatou-se que duas árvores estão em estado crítico. Uma delas é o Carvalho do Umbenau, em São Mateus do Sul. A outra árvore danificada é o Angico Branco, que está na Praça França, no bairro Seminário, que apresenta uma rachadura no tronco. As duas párvores, segundo ela, estão sendo especialmente monitoradas e não apresentam riscos à população. As demais não apresentam problemas. ''Elas estão boas, às vezes aparecem algumas ervas de passarinhos, que é um parasita, mas é só tirar, fazer a poda de limpeza e pronto'', diz.

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