METROPOLITANA - Arrasta-pé da terceira idade
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segunda-feira, 02 de julho de 2007
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Quentão, bolo de milho, paçoca e outras guloseimas juninas enfeitam a mesa em um dos cantos do salão da casa de repouso Yohana, no bairro Jardim Botânico, em Curitiba. Mas, é no meio da pista de dança, onde a quadrilha exibe sua coreografia improvisada, que a maioria dos 28 moradores da terceira idade prefere ficar.
Maria Martins, 78 anos, é uma das ''prendas'' mais animadas da festa. Aceita dar entrevista para a reportagem da Folha, mas com uma condição: a conversa tem que ser rápida para que ela possa voltar logo ao salão. Morando há oito meses na casa-lar, Maria conta que, desde criança, ela e os irmãos sempre gostaram de festa. E ela, de fato, mostra que o tempo não a fez deixar de lado a animação.
Uma lesão na coluna não permite que Irene Garcia, 81 anos, participe da dança. Mas, de sua cadeira, a simpática chilena radicada no Brasil acompanha as evoluções da quadrilha, com um sorriso no rosto o tempo inteiro. Irene diz que adora as atividades recreativas que acontecem na casa-lar, onde está há um ano, e procura participar de todas. As sessões de ginástica e jogo de memória são seus preferidos. ''Faz eu me sentir melhor'', acrescentou.
E é, justamente, esse o propósito do Programa Linha do Lazer, desenvolvido pela Prefeitura de Curitiba: levar qualidade de vida para os idosos em dez casas-lares da Capital. ''É muito gratificante, pois a gente acaba aprendendo bem mais com a experiência de vida que eles têm'', declarou a coordenadora do programa, Liliane Lançoni.
Além das festas em datas comemorativas (carnaval, festa junina, semana do idoso e Natal), as equipes do Linha do Lazer fazem sessões de ginástica, alongamento, bingos e passeios com a turminha da terceira idade. Atividades semelhantes, mas adaptadas para crianças, são realizadas com alunos das escolas da rede municipal de ensino, no contraturno escolar. O trabalho conta com o reforço de 10 estagiários de Educação Física, contratados pela prefeitura, especialmente, para o programa.
O estagiário Gregory Benetti Rosa, 20 anos, concluiu seu estágio junto ao programa depois de participar por um ano e cinco meses das atividades com os idosos e crianças. Para ele, sem dúvida, o trabalho com a terceira idade foi muito recompensador e provocou mudanças em seu modo de ver e agir com os mais velhos. A recompensa, segundo o estudante, também vem em forma de sorrisos e reconhecimento pelo esforço da equipe.
Lázara Ferreira da Silva, 64 anos, moradora no bairro Tatuquara, região sul de Curitiba, diz que procura não perder um dia sequer das atividades do grupo de convivência formado pela comunidade, onde o Linha do Lazer também atua. Gosta muito das festas, mas não arrisca uns passos no salão de dança. ''Não sei dançar. Nunca dancei quando solteira porque meu pai não deixava'', declara em meio a risadas. Para ela, só o fato de sair de casa, conviver com outras pessoas já representa uma boa injeção de ânimo.
Iracema Cecília Zacarchuka, 60 anos, concorda com a companheira de grupo. ''Anima mais a vida da gente'', afirma ela, que caprichou na caracterização para a festa junina. Iracema conta que trabalhou como doméstica até o ano passado e diz que, agora, é hora de descansar e aproveitar a vida. Ela também participa de um outro grupo da terceira idade, fazendo trabalhos manuais como crochê, tricô e fuxicos, e espera convencer o marido, Remi Alves de Lima, 74 anos, a também participar das atividades.


