Um movimento popular promete impedir que o terminal do Alto Maracanã, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitib (RMC), seja fechado para o fim das obras de reforma. Para isso, um morador do Alto Maracanã e usuário dos ônibus que passam pelo terminal está recolhendo assinaturas para compor um abaixo-assinado, que deverá ser entregue no final da tarde de hoje na Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec).
O autônomo Hélio Costa, 56 anos, com o auxílio de um carro e um alto-falante, pretende atingir 10 mil assinaturas, avisando a população com uma gravação em que protesta contra a desativação temporária do terminal. A Comec anunciou que fecharia o terminal do Alto Maracanã, na semana passada, durante o fim da reforma que tem uma primeira previsão de 60 dias. As 24 linhas que funcionam no local seriam transferidas para o novo terminal do Guaraituba, a 3 quilômetros do Alto Maracanã.
A Urbanização de Curitiba (Urbs), órgão ligado à prefeitura, se posicionou contrária ao fechamento, a princípio, e informou que precisaria de mais tempo para transferir as linhas. ''Alguém tem que tomar uma iniciativa. As pessoas estão revoltadas com o fechamento do terminal. A população não pode pagar por uma briga entre a prefeitura e o governo do Estado'', defendeu Costa. Ele informou que um grupo formado por moradores da região que estarão às 6 horas de segunda-feira, dia 28, para realizar uma manifestação para tentar impedir o fechamento do terminal.
A Comec e a Urbs, que opera as linhas de ônibus na região, admitem resolver o impasse através do diálogo. De acordo com a assessoria de imprensa da Urbs, o órgão já enviou um ofício à Comec solicitando que o fechamento do terminal seja adiado. Entretanto, a assessoria de imprensa da Comec informou que não foi procurada pela Urbs e mantém a posição de fechar o terminal do Alto Maracanã.
A medida deve atingir cerca de 90 mil usuários, entre moradores de Colombo, de Curitiba e região, além de prejudicar diretamente os comerciantes que trabalham dentro e ao redor do terminal. Segundo o proprietário de uma loja de presentes, localizada dentro do terminal, Daniel Ortega, 35, a reforma já retirou os comerciantes de suas lojas e os instalaram em contêiners temporariamente. ''Nós já saímos de onde estávamos durante a reforma. Não nos avisaram da desativação e não sabemos o que vamos fazer quando o terminal for desativado. É daqui que tiramos nosso ganho'', reclamou Ortega.
Para a dona de uma loja de roupas, Karina Yousef, 28, que fica em frente do terminal, a desativação do lugar vai acabar com todo movimento de clientes. ''Dependemos das compras que as pessoas que utilizam o terminal fazem aqui. Às vezes, eu levo os produtos para eles na grade que divide o terminal para que eles não gastem duas passagem. Nem precisam sair'', contou.
O estudante Moisés Divino, 26, acredita que a decisão de fechamento do terminal deveria ter sido feita com mais calma. ''Antes de tomar a decisão as autoridades deveriam ter consultado a população, que é a maior interessada. Minha vó tem 71 anos, como ela vai até o Guaraituba pegar um ônibus, se ela mal consegue chegar no Alto Maracanã''?, questionou Divino.
A Comec informou que o planejamento logístico e operacional para a desativação do local é de responsabilidade da Urbs que, por sua vez, pede o adiamento da transferência das 24 linhas de ônibus (20 alimentadores, três metropolitanos e um troncal, que corta a cidade) que operam no local.

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