São 10 horas da manhã de uma terça-feira. A dona de casa Rosângela de Fátima Silva Lopes e o diretor comercial Edilton Stival estão na secretaria da Escola Estadual Angelo Trevisan, no bairro de Santa Felicidade, onde estudam seus filhos. Eles terminam de redigir ofícios e preparam-se para sair para visitar o comércio local e pedir colaborações para a festa junina do colégio.
A iniciativa de Fátima e Edilton não é um caso isolado. Assim como eles, centenas de pais e até de ex-alunos que não se importam em deixar o trabalho ou suas casa de lado para colaborar como voluntários nas escolas. Para a rede de ensino pública, além de melhorar a relação com a comunidade e dar mais qualidade ao nível de ensino, essa prática, muitas vezes, vem engrossar a receita orçamentária da escola e pode significar a oportunidade de adquirir uma nova máquina de xerox ou de alugar um ônibus para levar os alunos a um passeio.
''Nossos pais sempre foram muito participativos. Eles não têm que assumir essas responsabilidades, mas em função das dificuldades do Estado, nós não podemos ficar esperando'', diz a diretora da Escola Angelo Trevisan, Antônia Maria Dezen Lobato.
Segundo a pedagoga Maria Gorete Stival Paulo, a participação da comunidade começou a crescer a partir do ano 2000, com a chegada da nova diretora e a implantação de mudanças pedagógicas com objetivo de melhorar o aprendizado. ''Quando os pais começaram a observar que os alunos estavam melhorando, eles começaram a participar mais'', conta.
A diretora explica que essa situação torna-se um ciclo. ''Se a escola tem uma atitude coletiva, que direciona para um ensino de qualidade, os pais acreditam na escola e participam mais, o resultado é um melhor vínculo afetivo entre comunidade e colégio e melhor aproveitamento dos alunos'', ensina.
Antônia Lobato lembra, ainda, que outra posição do colégio foi de sempre aproveitar os talentos existentes na comunidade. Foi, assim, por exemplo, que dois pais entraram na escola para dar aulas de balé e de futebol. Hoje, outra mãe dá aula de inglês. As salas de aula são todas equipadas com televisão e aparelhos de DVD.
Segundo Edival Stival, que é pai de Brian, aluno da 4 série e vice-presidente da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF), o laboratório de informática foi montado inicialmente a partir do trabalho dos pais. Hoje os velhos computadores já foram substituídos. Foi também um pai quem capacitou os professores para dar aulas de informática.
Rosângela, mãe dos gêmeos Rafael e Cecília, que estão na 2 série, e tesoureira da APMF, conta que vai pelo menos duas vezes por semana à escola e faz um pouco de tudo. ''Eu tomo leitura, tomo tabuada, ajudo no recreio, digito ofícios. Eu gostaria de poder vir mais aqui, eu me sinto em casa'', diz.
O reforço na leitura, feito por voluntários, gerou um programa de aprendizado, no qual os alunos que cumprirem as metas de leitura são premiados com troféus. ''Deu certo, criamos o hábito da leitura'', resume Gorete.
Não são só pais que participam. Maria Alice Novakoski da Silva, de 12 anos, Tayna Cristina Morillo Vigil e Jhenifer de Medeiros Remar, ambas de 11, fazem parte de um grupo de cerca de dez ex-alunas que costumam ir ao colégio para ajudar no que podem. ''Eu ajudo no laboratório de informática, ajudo a fazer fila no recreio, digito'', conta Maria Alice que com as amigas se empenhavam, no início de maio, a organizar as cestas de café da manhã para o dia das mães. ''É ótimo, porque a gente ajuda e acaba se divertindo também'', complementa Tayna.

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