É praticamente inevitável. O início de mais um ano desperta, na maioria das pessoas, uma incrível vontade de fazer planos sobre que atitudes adotar para melhorar o dia-a-dia nos meses que estão por vir. Desejos de mudança, de melhoria de vida, pedidos por mais saúde, mais dinheiro, um emprego melhor ou um novo amor são mais do que recorrentes. E compreensíveis.
  Mas, o que desejar para o lugar onde vivemos neste novo ano? Para responder a essa pergunta, a reportagem da FOLHA foi às ruas e conversou com moradores de Curitiba e Região Metropolitana sobre o que esperam ver em 2008
nos locais onde moram.
  Mais do que obras, ampliação do atendimento à saúde, melhorias no sistema educacional, os entrevistados apontaram a segurança como o item que deve merecer mais atenção das autoridades governamentais
neste ano.
  Afinal, depois de ficar nacionalmente conhecida como cidade-modelo, tendo sido ‘‘premiada internacionalmente em gestão urbana, meio ambiente e transporte coletivo’’, como destaca o site da prefeitura, a capital paranaense sofre atualmente dos males comuns às maiores metrópoles do País: índices de criminalidade que assustam
a população, crescimento desordenado das áreas metropolitanas e trânsito caótico, apenas para citar alguns problemas.


‘‘Acho que a principal expectativa para Curitiba em 2008 é: menos violência, menos violência, menos violência. É isso o que assusta a gente. Tanto a prefeitura quanto o governo do Estado deveriam criar um plano emergencial para combater a criminalidade. Há muito roubo, muito seqüestro. O resto a gente vai resolvendo. O trânsito está ficando complicado, mas não se compara ao problema da violência. O comabate à violência deveria ser a meta das autoridades em 2008’’, opina o jornalista e escritor Eduardo Sganzerla.


  A preocupação com a falta de segurança nas ruas parece ser ainda maior para aqueles que começaram a formar uma família. ‘‘A Capital e a Região Metropolitana precisam de mais segurança. Minha irmã foi vítima de seqüestro-relâmpago, o que deixou toda a família assustada. Quando eu era adolescente, costumava sair à noite sem problemas. Hoje, dificilmente deixo a minha filha brincar na calçada de casa’’, diz o auxiliar administrativo William Gonçalves, de 28 anos, pai de Dandara, de 3.
A mulher dele,
Neuzeli Pereira, de 28, tem ainda outro desejo de Ano Novo para a Grande Curitiba. ‘‘Quero ver em 2008 maiores oportunidades de trabalho e cursos de aperfeiçoamento para os trabalhadores’’, afirma a professora do Ensino Fundamental, que mora com a família no município de Colombo.

Pensando nos dois filhos, o gari Carlos Roberto Santos, de 43 anos, também deseja a abertura de mais postos de trabalho, além de melhor atendimento na área da saúde e, claro, mais segurança para a população. ‘‘Os jovens precisam do primeiro emprego. Tenho dois filhos, Thiago, de 21 anos, e Isaac, de 19, que até hoje só conseguiram empregos temporários. Além disso, é preciso fazer alguma coisa para diminuir a criminalidade’’, aponta ele, que mora no bairro Cajuru.

Para quem atua na área do esporte, em contato permanente com jovens, a violência urbana também é motivo de reflexão. ‘‘O que eu peço para 2008 em Curitiba é que a violência diminua, junto com a criminalidade e o consumo de drogas. Acho que a segurança é o que mais precisa melhorar na cidade’’, ressalta Pachequinho, ex-jogador e técnico da equipe júnior do Coritiba.

‘‘Espero melhoria na segurança pública. Trabalho aqui nessa praça (Santos Andrade) há 30 anos e já vi muita coisa. Na maioria das vezes, a gente não pode fazer nada. Até mortes a tiros já vi acontecer por aqui. Mas, a gente finge que não vê. O povo também precisa ser melhor atendido na questão da saúde’’, afirma o vendedor ambulante Paulo da Silva, de 65 anos, morador do bairro Cajuru.

Do alto dos seus 80 anos, Gertrudes Kuquel, ainda tem a esperança de ver asfaltada a rua onde mora, em Pinhais. ‘‘Espero que as ruas sejam mais conservadas este ano. A minha, por exemplo, nunca recebeu calçamento, o que prejudica muito a gente’’, observa a diarista aposentada.

  Quem faz coro com ele é o motorista autônomo Marcos Schwind, de 51 anos, morador de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.‘‘Eu queria que melhorasse principalmente a segurança. Eu trabalhei durante cinco anos na Ceasa, mas tive de sair do emprego depois que fui assaltado. Apontaram uma arma para a minha cabeça, levaram meu caminhão, dinheiro, celular e meus documentos. Foi horrível. Tive de parar com esse serviço por causa disso’’, lamenta.

mockup