No começo era a densa mata virgem, sinalizando que o solo era possuidor de grande fertilidade. As florestas serviram de propaganda para atrair os primeiros proprietários de lotes. Depois vieram os cafezais, tão frondosos que era necessário usar escada para fazer a colheita. Também se tornaram peças publicitárias para atrair mais colonizadores.
  Depois que a fama das terras de Londrina correu o mundo e gente de todos os sotaques foi chegando, o município se consolidou como grande produtor de café e a cidade como polo regional. Brotaram também prédios.
  O tempo passou, veio o declínio da cultura cafeeira – acentuado pela geada negra de 1975 – e o êxodo rural. Londrina passou a ser uma cidade essencialmente urbana, sede de uma região metropolitana. Mas o campo, embora esvaziado populacionalmente, continua forte, produzindo muito.
  O censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou 13.181 londrinenses vivendo na zona rural. Isso corresponde a apenas 2,6% do total de habitantes do município. ‘‘Ou seja, é menos de 3% da população trabalhando para colocar comida na mesa de mais de 97%’’, resume Paulo Mrtvi, técnico em agropecuária do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
  E como trabalha esta gente do campo. São 3.725 propriedades rurais dentro dos limites do município, segundo cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Dessas, quase 90% servem à agricultura familiar.
  No assentamento ‘‘Pó de Serra’’, distrito de Lerroville, em um sítio de 11,5 hectares, trabalham Marcos Martins da Costa, de 39 anos, e Elizete Martins da Costa, de 38. Quando não está na escola do distrito, onde cursa o último ano do ensino médio, Marcos Júnior, de 18, o filho mais velho do casal, também ajuda na roça. Para a caçula Gabriele, de 3 anos, a lavoura é local de diversão.
  Marcos e Elizete venceram as dificuldades financeiras do início e hoje produzem milho verde, berinjela, repolho, couve-flor e poncã. Mas o forte do sítio Martins é a abobrinha, cultivada em três variedades.
  O trabalho é de domingo a sexta. Somente no sábado sobra um tempinho para o lazer. Três vezes por semana, o casal vai à Ceasa de Londrina vender a produção colhida no dia anterior.
  O sítio Martins está próximo ao ponto mais alto do município de Londrina. No centro da cidade, na Catedral Metropolitana, a altitude é de aproximadamente 600 metros. Naquela região de Lerroville, por volta de 820 metros. É mais frio, como denunciam as dezenas de araucárias que se vê ao redor.
  ‘‘Quando vem a geada, não tem nem o que fazer. É prejuízo certo’’, relata o agricultor. Mas, assistidos pelo Emater, e adotando boas práticas de manejo, Marcos e Elizete contam que as coisas, no geral, vão bem. ‘‘Nesta terra fértil de Londrina, vamos construindo a nossa vida e a de nossos filhos. Somos gratos a esta cidade’’, diz Marcos.

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