Mestres e doutores geram inovação nas empresas
Na pós-graduação, existe a ideia de que o stricto sensu (mestrado, doutorado) forma pessoas habilitadas a atuar na academia, enquanto a pós lato sensu forma profissionais que irão integrar o mercado de trabalho. Isso, entretanto, já começa a mudar. As empresas aproveitam o potencial de mestres e doutores para gerar inovação nos processos e produtos da companhia.
Para Sílvio César Sampaio, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), medidas do governo e de outras entidades têm incentivado a ida de mestres e doutores às empresas. "O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Finep e Fundação Araucária têm editais específicos para fixar os doutores em empresas privadas, inclusive com incentivos fiscais para as empresas."
"O governo paga uma bolsa para o doutor trabalhar na empresa e gerar inovação, algo crucial para o desenvolvimento do país. De acordo com dados consolidados pela Capes, em 1996 estavam na iniciativa privada 16% de mestres, em 2009 eram 25%, e isto vem aumentando ano a ano", continua o pró-reitor.
O caminho contrário especialistas indo para a academia -, também está acontecendo, diz o diretor da Faculdade Pitágoras de Londrina, Fernando Ciriaco Dias Neto. "Hoje em dia, grandes instituições que priorizam a qualidade não podem ter só doutores, mas também especialistas. Tem de ser uma mescla", ressalta Dias Neto. O especialista é quem terá o conhecimento prático para transmitir aos alunos.
Inovação
"Como fez pesquisas e tem facilidade em gerar inovação, empresas que precisam inovar o processo gostam de contratar mestres e doutores. O que limita às vezes são os valores salariais", afirma o diretor da Pitágoras.
A Guenka, empresa de desenvolvimento de software de Londrina, possui em seu quadro de funcionários um mestre e outros quatro alunos que estão cursando mestrado ou disciplinas ligadas ao programa de mestrado na área. A própria Jandira Guenka, sócia da empresa, é mestre e doutora. "O funcionário (que cursa uma pós-graduação stricto sensu) tem uma característica importante que é a geração, gestão da inovação, de novos produtos ligados a novas técnicas. Ele faz uma varredura acadêmica em sincronia com o que o mercado está precisando", opina Jandira.
Para ela, o profissional mestre ou doutor é capaz de identificar um produto com características peculiares que não estão evidenciados no mercado. "O trabalho é associado a uma necessidade que existe."
Para o mestre em Ciência da Computação Gilson Doi, que trabalha na Guenka, o pós-graduado em stricto sensu possui um olhar mais crítico, o que o ajuda a identificar inovações. "O mestre fica um pouco mais crítico, porque levantou uma bibliografia, fez um trabalho para mostrar algo diferente." Doi trabalha na área de gestão de inovação da empresa de software. Entre um dos seus projetos está a sistematização de etapas para que os funcionários proponham produtos para a empresa.
Denis Evangelista atualmente cursa algumas disciplinas do programa de mestrado em Ciência da Computação na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele é coordenador de projetos na Guenka. "Cada um (especialista, mestre ou doutor) tem sua vantagem. O ideal seria mesclar."






