'Mesmo diferentes, somos todos iguais'
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
Walkiria Vieira<br>Reportagem Local 
"Talvez eu não possa acabar com o bullying do mundo inteiro, mas com o da minha sala". Foi com esse objetivo que o estudante Paulo Pirotta Odízio, 9 anos, começou o projeto intitulado Diga não ao bullying: mesmo diferentes, somos todos iguais". Em 2016, quando ainda estava com sete anos de idade, o tratamento dado a um amigo passou a incomodar Paulo, que levou o assunto para casa e ganhou a atenção dos pais. Ouvir o amigo ser chamado de gordo, baleia e o quanto isso o chateava o alvo, motivou Paulo.
"Desde muito pequeno ele é sensível a essas situações e, nesse caso, os xingamentos ao amigo estavam insustentáveis. Em suas palavras, dizia que queria acabar com aquilo", conta o pai de Paulo, o advogado Flávio Odízio, 47 anos. E assim, da vontade de mudar para a prática, as ações foram fazendo a diferença. Graças à empatia, a mudança aconteceu. Os cartazes levados para a sala de aula já surtiram efeito e da escola em que estudava para outras, a ideia foi abraçada por estudantes de outras faixas etárias.

"Nem sempre a professora tem o que fazer e, às vezes, nem sabe que um aluno sofre bullying porque quem faz escolhe a hora do lanche e espera quando não tem ninguém mais por perto. Quem faz bullying também ameaça os que tentam proteger as vítimas", revela o estudante. As palestras foram levadas também a igrejas e instituições de acolhimento de crianças e a escolas de outros municípios.
Resultado? A escola onde Paulo estudava melhorou e o sentimento dele é de muita satisfação. "Não houve mais ocorrência e o meu amigo não sabe que foi a inspiração para o projeto. Fizemos assim para não causar algum constrangimento, para não haver sensacionalismo e por saber que esse é um mal comum em vários lugares." Mesmo diante de opiniões contrárias, Paulo e a família persistiram: "Alguns diziam que isso era mimimi e que sempre existiu, mas sabemos que muitas pessoas sofreram no passado e não precisam passar por isso porque a aceitação às diferenças e o respeito devem prevalecer", diz o pai de Paulo. O feedback dos professores é muito positivo. "Todos se surpreendem também diante de uma criança querer fazer a diferença", expõe Pirotta.
No boca a boca, o projeto foi ganhando mais divulgação e, no final de 2018, Paulo foi convidado para o especial de Natal do programa Encontro, de Fátima Bernardes, para falar mais sobre. Assim, a iniciativa levou o nome de Cornélio Procópio a ser mais conhecido. "Teve repercussão nacional e temos mais palestras pré-agendadas para 2019, recebemos o convite de dois patrocinadores e estamos ganhando seguidores no combate ao bullying", comemoram. "Paulo foi ganhando conhecimento ao levar o tema para as escolas. Agora, ele também sabe que o bullying pode levar ao suicídio e a homicídios. Colocamos ele a par desses desdobramentos e quando faz as palestras, os alunos se expõem.
Para 2019, Paulo ingressa no 3º Colégio da Polícia Militar de Cornélio Procópio e está animado para essa nova experiência. "Eu vou raspar o cabelo, usar farda, então aproveitei para pintar o cabelo de várias cores nas férias", diverte-se.


