Mesas de bar popularizaram o esporte
Tão popular quanto o futebol, mas com muito mais particularidades, que variam de acordo com a região onde é jogado. Assim o presidente da Federação Paranaense de Sinuca, Jacir Bonavigo, define o bilhar. Importado para o Brasil há quase 100 anos, o jogo tem tantos adeptos que chega a ser virtualmente impossível estimar o tamanho do paixão que o brasileiro nutre pela sinuca.
Oficialmente, segundo Bonavigo, existem somente duas maneiras para se jogar o bilhar uma denominação, por sinal, erroneamente aplicada ao jogo, já que ''bilhar'' é o nome do conjunto de ferramentas utilizadas para tal. ''No Brasil, praticamos oficialmente o jogo segundo as regras inglesas ou o com regras americanas, também conhecido como 'nine ball'. Mas o jogo inglês é bem mais popular'', explica o dirigente.
O jogo praticado segundo as regras inglesas consiste na derrubada de uma quantidade pré-determinada de ''bolas da vez'', que estão sobre a mesa. Estas bolas, de acordo com Bonavigo, são identificadas pela cor vermelha. Outras bolas estas, de cores distintas também integram o jogo e são conhecidas como ''numeradas''. ''Estas só podem ser derrubadas depois que todas as bolas da vez caírem. E devem ser encaçapadas de acordo com a numeração que possuem'', completa. Ganha quem encaçapar mais bolas.
O ''nine ball'', por sua vez, aparenta ser um pouco mais simples. O jogo é composto por nove bolas que devem ser mortas na sequência numérica estampada em cada uma delas. Neste caso, ganha quem matar a bola número 9.
As duas regras também guardam diferenças quando se fala do equipamento utilizado para cada uma delas. Segundo Bonavigo, a mesa da regra inglesa é maior (tem 2,84m x 1,42m), com caçapas menores. A mesa americana mede 2,54m x 1,27m, com buracos maiores. ''A regra inglesa é bem mais praticada no Brasil, que até bem pouco tempo tinha seu próprio regulamento. Estamos tentando adotar os dois padrões de jogo para podermos participar de competições internacionais'', explica Bonavigo. ''A minha expectativa, por sinal, é de que se o jogo for incorporado às Olimpíadas, as regras americanas sejam adotadas'', afirma.
A aparente complexidade do jogo não afugenta praticantes do esporte. Bonavigo garante que o Paraná conta com 5 mil jogadores afiliados à federação, que responde a um organismo maior: a Confederação Brasileira de Bilhar e Sinuca (CBBS). ''Acredito que o esporte é tão ou mais popular que o futebol. Todo mundo joga bilhar no boteco da esquina'', exagera. Como comparação, a CBBS conta com 249 árbitros filiados. A Confederação Brasileira de Futebol registra, no próprio site (www.cbfnews.com.br), 649 árbitros.
Mas as regras para se jogar bilhar são o de menos. Se for preciso, cada bar que conta com uma mesa de sinuca inventa o próprio jogo. O próprio Bonavigo reconhece que, apesar de ser um esporte tradicionalmente praticado por classes sociais mais abastadas, a sinuca só se tornou popular no Brasil por causa das mesas de ficha, aquelas instaladas nos botecos de esquina, onde são jogados os conhecidos ''Par e Ímpar'' ou o ''Bola 8'', jogos similares, mas que são mais ou menos praticados de acordo com a região do País.
No ''Par e Ímpar'', joga-se com 15 bolas, todas numeradas. A bola 15 é tirada do jogo e, após a tacada inicial, quando se estoura o grupo todo de bolas, é definido que jogador mata as pares e quem mata as ímpares. O jogador que encaçapar todas as bolas ganha o direito de colocar a 15 na mesa. Ao matá-la, o jogo está ganho. No ''Bola 8'', a esfera em questão é retirada da mesa, e a cada jogador cabe a missão de matar as bolas com números inferiores ou superiores a ela. A diferença maior, contudo, está na presença da 8 na mesa. A bola não pode ser encaçapada enquanto o jogador não tiver matado todas as próprias bolas.
Claro que tais regras mudam de bar para bar. Em Jaguapitã, por exemplo, quem define como o bilhar deve ser jogado é o dono da mesa, como no caso do Bar da Pedra, de propriedade de Silvio Evangelista de Campos. ''Quando alguém discute quais são as regras do jogo no meu sinuca, é claro que a palavra final é minha'', diz.
Sílvio tem o bar há 14 anos, contando com uma mesa de sinuca desde o início do empreendimento. De lá, ele tirou o sustento para a esposa e os três filhos. ''Vendo cerca de mil fichas por mês, a R$ 0,30 cada'', contabiliza. ''Já cheguei até a organizar campeonatos aqui'', lembra.
Mas se a qualidade das mesas produzidas em Jaguapitã é inquestionável, não se pode dizer o mesmo dos jogadores paranaenses. ''Precisamos treinar muito se quisermos ter 10% de chances de vencer uma competição internacional'', lamenta Bonavigo. ''É... o pessoal que joga por aqui realmente não é muito bom, não'', constata Campos.





