Mergulho cultural
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Marcos Martins<br>Equipe da Folha 
A manhã da quarta-feira promete ser especial para Patrícia de Souza, 15 anos, estudante da 6ªsérie do Colégio Estadual Segismundo Fallarz. Acompanhada dos colegas de turma e de professores, a aula foi substituída por uma visita ao Museu Oscar Niemeyer. Antes de entrar, a ansiedade só não era maior que a expectativa. Deve ser bem legal. Sempre tive muita vontade de conhecer, mas não dava para vir. Agora quero ver as esculturas, conta. Com a mesma sensação está Paula Cristina Kertischza, 12 anos. Vim uma vez mas estava fechado. Dessa vez deu certo, não vejo a hora de entrar, revela.
Lá dentro, eles se deparam com um mundo de surpresas. Por cada sala, uma emoção diferente. Tudo chama a atenção. Esculturas, quadros, gravuras. As cores e texturas vão despertando a curiosidade da garotada. Adorei aquele quadro grande. Parece que a mulher está olhando para o lado, aí você vai para lá e não tá olhando mais, surpreende-se Camila Martins, 14 anos. Com os olhos brilhando, Rafael Nascimento Almeida, 13 anos, elogia as pinturas. Deve ter sido difícil fazer um trabalho desses, aposta. Além de conhecer como é o interior de um museu pela primeira vez, Rafael destaca a importância de conhecer a história. O professor veio junto e vai contando alguma coisa relacionada à obra. A gente aprende mais fácil, avalia.
Se Camila e Rafael gostaram mais dos quadros, Kayla Justino, 12 anos, gostou dos bustos de grandes figuras da história, que estão expostos no museu. Nunca tinha visto uma coisa bonita assim, com tantos detalhes pequenos, analisa. Ao lado dela, os olhos da Patrícia, nossa personagem lá do começo da matéria, vão passeando pelas paisagens gregas, retratadas num grande quadro de um dos ambientes. Dá uma sensação gostosa, estou me sentindo como se estivesse nessa época do desenho, define. E tantas novidades não podiam ficar guardadas só na memória: cada passo era registrado pela câmera do telefone celular. Quero guardar para sempre esse momento! Esperava que aqui fosse um espaço antigo, mas é bem diferente. Moderno, iluminado. Bem gostoso, espero voltar mais vezes, promete.
Enquanto um dos grupos visita as obras, Paula Cristina Kertischza e os amigos divertem-se em uma pequena oficina. Na mesa, uma concha para estudar a textura dos objetos. Uma lanterna faz viajar pelo mundo das sombras. Depois, eles desenham. Fiz a estrela do mar e foi bastante divertido, conta, antes de seguir viagem pelo túnel que leva ao olho do museu. É bem gostoso, parece que estou debaixo da água, diverte-se.
É essa alegria que gratifica os envolvidos em proporcionar essa oportunidade às crianças. Lizonei Fontoura de Freitas, professor de História dos alunos, só vê benefícios na visita. Além de resgatar a história, você os transporta a um mundo de cultura que pode despertar o interesse deles pela arte. Quem sabe nesse momento não está sendo o primeiro contato de um futuro amante da arte com esse mundo?, torce Lizonei.
Para um dos monitores, Victor Padilha, estudante de Pintura, a revelar a eles o mundo das artes requer muita responsabilidade. Você está apresentando tudo isso para eles, muitos nunca entraram em um museu. Então tem que ser bem feito, argumenta. Responsável pela Assessoria Educativa e Cultural do Museu Oscar Niemeyer, Solange Rosemann considera o trabalho maravilhoso. Além da visita, tem a parte das oficinas, que proporciona a eles um museu vivo. Não existe só a contemplação, mas o estímulo à criação. Isso não tem preço, resume.


