São Paulo - Sentada na primeira fila da tribuna de honra do Senado Federal, Verônica acompanhou, ao lado dos filhos, o discurso do marido, Renan Calheiros (PMDB-AL), no qual o presidente do Senado admitiu uma relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso. Em vez de chiliques esperados de mulheres traídas, Verônica abraçou Calheiros, em sinal de que a paz invadiu o seu coração e de que optou por perdoar o deslize. Com isso, entrou para a lista das publicamente expostas ao vexame de saber que o marido andou pulando a cerca - e que relevam o episódio.
Mas, afinal, dá para perdoar uma traição? ''Isso vai depender da história do casal, o sentido que dá para essa traição. Acreditar que o relacionamento amoroso é de cristal, ficar achando que não pode haver nenhuma rachadura, é um dos mitos do casamento'', avalia a psicoterapeuta Lídia Aratangy, autora do livro ''O anel que tu me deste'' (Ed. Artemeios).
Para ela, há casais que não resistem à traição, outros resistem, seja por conveniência, lealdade, solidariedade. ''Depende do significado que a traição teve para o casal. É possível superar, mas não que isso seja fácil, nem desejável'', alerta.
Na visão da psicoterapeuta Regina Navarro Lins, autora da coleção ''Amores Comparados'' e do best-seller ''A Cama na Varanda'' (cuja segunda edição deve ser lançada este semestre), uma relação extraconjugal não pode ser considerada traição. ''Vai depender da forma pela qual o casal enxerga amor e sexo. As relações extraconjugais acontecem com muita frequência, e as pessoas vivem alimentando a ficção da exclusividade sexual. Dizer que alguém faz sexo com outra pessoa porque o casamento não vai bem é uma bobagem, não é verdade.''
Regina adverte que o grande equívoco é fazer pacto de exclusividade. ''É uma promessa impossível de cumprir. Eu diria que a imensa maioria das pessoas ou tem, ou tem vontade de ter, uma relação extraconjugal. A traição é uma coisa muito mais séria.''
Mas fazer sexo fora do casamento é considerado um pecado e tanto, que deve ser evitado. Agora...no caso de a tentação ter sido mais forte, a orientação é perdoar o pecador. Segundo Ítalo J. Passanezi Fasanella, fundador da Comunidade Católica Sagrada Família (www.sagradafamilia.org.br), casado há 18 anos, 4 filhos, e responsável pelo serviço de aconselhamento de casais, existe um percentual de fiéis que o procura para vencer a questão do adultério.
''O caminho que indicamos é o do perdão, é o caminho bíblico, não há outro. Acreditamos até o fim no valor da família. A traição é muito grave, é uma ofensa à instituição família e àquilo que é sagrado, que é o sacramento do matrimônio'', diz. Mas ele avisa: até as mais graves ofensas exigem perdão mútuo. ''O amor pode superar tudo, mas é preciso ter arrependimento da outra parte, para que volte a harmonia ao relacionamento.''

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