Em meio a prédios, shoppings e hipermercados, as pequenas mercearias ainda sobrevivem. Algumas há mais de 70 anos. E a freguesia continua a mesma. Alice Dumsch que o diga. Ela tem uma pequena mercearia na Avenida Manoel Ribas, nas Mercês, e conhece todos os moradores da região pelo nome. Quem não paga na hora, passa mais tarde para pagar aquela verdura fresquinha ou o pacote de feijão. A venda, como era chamada antigamente, está ali há 75 anos. Foi fundada pelos pais de Alice. ‘‘Quando vim para essa casa, tinha apenas três meses. Meu pai já montou a venda e cresci no comércio, fazendo daqui a minha vida’’, contou.
  E fez mesmo. Alice foi a filha que resolveu tocar o negócio. Ela mora nos fundos e vende de verduras e pães a sucos e cigarros. ‘‘Cresci vendo o bairro se modificar. Quando chegamos aqui, era só mato. Acabei gostando do comércio e fiz daqui minha profissão. Não tive marido para me incomodar, nem filho para chorar’’, disse a comerciante. Nos poucos minutos que a Folha ficou na mercearia, percebeu vários clientes entrando para comprar frutas e verduras. ‘‘Conheço todos meus clientes pelo nome. Mesmo com os mercados grandes, sobrevivemos bem. Acho que por não pagar aluguel, nem encargos sociais. Eu mesma trabalho aqui’’, explicou. Com 75 anos de idade, Alice abre a venda de segunda a sábado, das 7 às 19 horas. Aos domingos, das 9 ao meio-dia.
  Alice não consegue deixar de abrir a mercearia. Quando não abre, os vizinhos ficam preocupados. ‘‘Tem gente que vem aqui só para conversar. Alguns vem falar de suas dores. Eu conto sobre as minhas. A gente faz parte do local, do bairro. Não posso nem pensar em fechar a venda’’, comentou. Apesar de morar nos fundos, ela não fecha a venda para almoçar. Come ali mesmo. Esquenta tudo no microondas.

SAIBA MAIS
Confira os números do comércio varejista em Curitiba
– 41.237 estabelecimentos comerciais
– 36,03% Centro, Boqueirão, CIC, Água Verde
– 99% micro e pequenas
Fonte: ACP (Associação Comercial do Paraná), dados de 2003

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