Mercado exige profissionalização
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Os jornaleiros precisam se profissionalizar. A afirmação é do diretor-financeiro do Sindicato dos Jornaleiros do Paraná (Sinjor/PR), Dorival Carneiro. Com o novo formato das bancas de jornal e revista, que hoje se assemelham a um mini-mercado, o profissional do setor precisa ter mais perfil de empresário do que de vendedor de jornal.
Segundo o presidente do Sinjor, Gregório de Ben, um mercado que emprega até 3,6 mil pessoas diretamente no Estado, sem contar fornecedores e outras pessoas que dependem da banca, hoje compete com padarias, farmácias e assinaturas. Mas, para ele, o comprador de jornal na banca é diferente. ''Quem sai da sua casa para comprar o jornal é porque realmente vai lê-lo'', conta de Ben.
A venda de impressos representa atualmente a metade do faturamento bruto das bancas -a proporção já chegou a 90%. De acordo com Carneiro, que coloca a culpa da diminuição nas vendas na internet, a transformação aconteceu gradualmente. ''Antes a banca abria aos domingos somente para vender o jornal. Hoje, principalmente no centro, não se abre mais aos domingos. E olha que esse é o dia de maior venda de diários'', conta.
Mas a figura do cliente fiel que passa todos os dias na loja para buscar o seu impresso ainda existe. É aquele que passa na banca no caminho do trabalho e que conhece o nome do vendedor. Ele prefere a amizade com o jornaleiro e os agrados que recebe ocasionalmente, como presentes no fim do ano ou entregas especiais quando preciso, a fazer uma assinatura do veículo.
Carneiro acredita que o que mais vende jornal é escândalo e crime. ''Quando temos grandes manchetes, as vendas chegam a dobrar'', comenta. Mas, apesar da venda de impulso - quando o cliente se interessa após ler a manchete - ser grande, é o conteúdo apronfudado e os artigos que atraem os leitores cativos da mídia impressa.
As cerca de 1.800 bancas paranaenses - 550 somente em Curitiba - se adaptaram ao modelo de mini-mercado e procuram variar na oferta dos produtos. No entanto, segundo o sindicalista, é desejo do jornaleiro que a procura por impressos volte a crescer, já que essa alavanca a venda de outros produtos. ''É raro a pessoa que leva mais de um veículo. Mas quem vai até a banca quase sempre leva um complemento junto com o jornal ou revista''.


