Curitiba - O mercado de produtos de luxo movimenta cerca de US$ 210 bilhões ao ano em todo o mundo. A fatia brasileira equivale a cerca de US$ 2,3 bilhões por ano e o segmento cresce a uma velocidade de 17% ao ano. ''O crescimento anual do luxo no País tem tido uma média de 25% nos últimos seis anos'', disse o diretor da MCF Consultoria e Conhecimento e ex-presidente da Louis Vuitton Brasil, Carlos Ferreirinha.
A consultoria de Ferreirinha realizou a pesquisa ''O Mercado do Luxo no Brasil'', em parceria com a GfK Indicator. O levantamento prevê que o setor de luxo tenha um crescimento de 25% neste ano no País. ''O segmento do luxo tem demonstrado um crescimento contínuo, o que reflete o processo de amadurecimento do mercado, capaz de expandir mesmo em situações adversas como a tributação, dificuldade de importação e volatilidade cambial'', disse.
De acordo com a pesquisa, quase a totalidade do público consumidor possui nível superior completo (91%), são mulheres (58%), com idade entre 26 e 35 anos (40%), casadas (48%) e sem filhos (66%). Do universo de produtos apresentados, cerca de 70% têm a moda como o principal foco de consumo. A pesquisa ainda confirma a cidade de São Paulo como a capital do luxo, porém, sinaliza a expansão de outros mercados como Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Um dos locais que tem um público ''AA'' em Curitiba é o restaurante Durski. O local oferece produtos com raspas de ouro como a vodka (US$ 800) e o azeite de oliva (R$ 450 a R$ 480). A adega conta com um vinho que custa R$ 35 mil, o francês Haut Brion de 1934, produzido na região de Bordeaux.
Segundo o chef e restauranter do Durski, Junior Durski, o tíquete médio para duas pessoas atinge R$ 250, mas há clientes que gastam, em média, R$ 700 a R$ 800 para duas pessoas. Uma vez por mês, o local recebe um grupo de amigos de uma confraria de vinhos. O almoço deles começa meio-dia e vai até às 20 horas. O grupo formado por dez pessoas pede cerca de sete pratos, saboreia vinhos e gasta cerca de R$ 50 mil.
O restaurante tem também clientes que só compram os produtos se forem caros, ou seja, ''gostam de pagar caro'', contou Durski. Alguns clientes gastam somas consideráveis pelo ''prazer de comer bem e beber bem''.
O local tem ainda um armário com 120 gavetas. Cada uma guarda talheres de prata com o nome do cliente gravado e guardanapos com o nome da pessoa borbado em fios de ouro. É o chamado ''Le Club'' do Durski. Para fazer parte do grupo seleto, é preciso ser cliente cativo do restaurante. Uma das personalidades que possui talheres no restaurante é o ex-governador do Paraná, Jaime Lerner.

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