Mercado de trabalho está menos machista
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
O machismo está diminuindo no mercado de trabalho na Região Metropolitana de Curitiba. Recentemente, o professor Róbson Gonçalves, do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae)/Fundação Getúlio Vargas (FGV), analisou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
E constatou: embora as mulheres em média ainda ganhem menos do que os homens, a injustiça está sendo contornada. De 2000 para 2006, a diferença de renda média entre homens e mulheres diminuiu de 38% para 30% na RMC. Foi uma queda bastante superior à registrada no Paraná inteiro, onde a desigualdade reduziu de 36% para 35% no período mencionado, o que indica que no interior a situação está pior.
''Uma importante razão para essa queda mais acentuada na RMC é a presença de grandes empresas, que têm uma pressão competitiva maior e com uma estrutura mais meritocrática'', aponta Gonçalves. ''Além disso, as mulheres estão mais presentes no mercado de trabalho. Das mulheres com 15 anos de estudo ou mais, 80% estão no mercado de trabalho''.
O professor explica que na faixa de pessoas com renda de 20 salários mínimos ou mais as mulheres chegam a inverter o jogo: ganham em média 6% a mais do que os homens. Mesmo na média geral, a diferença que persiste contém algumas distorções.
''Na RMC, há aproximadamente 500 mil mulheres que exercem atividades não remuneradas. São pessoas consideradas economicamente ativas mas que não recebem pagamento'', diz Gonçalves. ''A tendência é que continue a diminuir a diferença na renda média geral. Há uma necessidade imposta às empresas, de estabelecer cada vez mais critérios meritocráticos''.
A consultora de recursos humanos Susane Zanetti, que atua junto ao segmento de altos executivos, percebe o fenômeno e aponta que nas grandes empresas a distribuição de homens e mulheres nos cargos mais importantes (que proporcionam os melhores salários, portanto) está ficando mais justa. ''Hoje, 50% dos meus clientes são homens e 50% são mulheres'', descreve a consultora.
''A mulher está se especializando muito, buscando cada vez mais conhecimento, tanto na parte acadêmica quanto em outras fontes. Há também a questão da dedicação. Embora as mulheres se ocupem com muitas coisas na vida pessoal, elas são muito dedicadas. Além disso, têm uma facilidade efetiva de trabalhar o controle das emoções'', afirma Susane.


