Em Buenos Aires, onde fica a base da programação dos outros canais (For Man, Playboy TV, Venus e Private), duas brasileiras também estão envolvidas com a programação erótica. Gisele Lopes e Ciana Lago funcionam como ponte entre a Playboy Latina e a do Brasil, recebendo e enviando material audiovisual, cuidando das legendas, entre outras tarefas. Lá também tem muito mais mulher do que homem: são 12 programadoras e apenas um programador.
Como muitos produtos nacionais são exibidos pela Playboy Latina, Gisele e Ciana precisam traduzir para o espanhol algumas palavras em português. ''É comum, no nosso dia-a-dia, receber a ligação do editor, que quer saber o que é isso ou aquilo'', fala Gisele.
''É engraçado trabalhar com esse conteúdo aqui, sobretudo porque, muitas vezes, nos falta o vocabulário 'sexual' do país'', conta Ciana, que é casada. ''Hoje, por exemplo, o pessoal daqui precisava traduzir o título de um filme e ficamos tentando achar correspondentes para duplos sentidos, como 'pau para toda obra', com a ajuda de um programador argentino. É sempre muito divertido essa parte dos títulos e das sinopses.''
Todas acompanharam a profissionalização desse ramo, principalmente das produções brasileiras. Cerca de cinco anos atrás, Antônia cansava de se deparar com filmes ''fundo de quintal'': a produção se limitava a um sofá surrado, mulheres ''acabadas'', iluminação precária e imagens com a marca da lente suja.
Agora, os filmes brasileiros são cada vez mais procurados no mercado internacional. Atrizes pornôs brasileiras tornaram-se famosas lá fora. Monica Mattos é uma delas. Este ano, ela foi a vencedora do AVN Award, na categoria Female Foreign Performer of the Year, como a melhor performance feminina estrangeira - prêmio equivalente ao Oscar desse segmento.
Carolina aponta para outra particularidade nacional. No canal Sexy Hot, os brasileiros não curtem filmes pornôs protagonizados por beldades loiras e longilíneas, como as européias e norte-americanas. Reclamam do excesso de maquiagem e da ausência de bumbum farto. Preferem as brasileiras, mais curvilíneas e mais ''reais'', ou seja, mulheres do cotidiano.
Por outro lado, os filmes eróticos destinados às mulheres precisam ter história - de preferência, com uma pitada de romantismo. Diferentemente da preferência masculina, na opinião delas, os personagens devem ser lindos. Ou seja, devem ser bem diferentes dos barrigudos e carecas da vida real. (C.V./A.E.)

mockup