Serenidade, confiança, charme, sedução. Medo, angústia, raiva, indecisão, timidez. No dia-a-dia em que, seja no trabalho, nos momentos de lazer ou nas atividades do lar nossas emoções são postas à prova, o presente do indicativo em relação a como observamos determinado fato ou notícia pode estar em pequenos gestos e ações: diz-se que o corpo não mente.

Mas, afinal, nos comunicamos por meio do corpo? O corpo fala? Alguns estudiosos relatam a linguagem corporal como a mais primitiva das linguagens, tanto entre animais como entre a humanidade.

Para a psicóloga Simone Oliani, o corpo conta coisas sobre todas as áreas da vida de uma pessoa. ''Apesar de não falar, o corpo sinaliza intenções, emoções, gestos e mil caras e bocas. A linguagem não verbal além de ser evidente (visível) é também muito rápida tanto para sinalizar como para mudar de sinais. Rostos humanos podem mudar de expressão numa fração de segundos, em cerca de um décimo, precisamente. Que palavra ou frase poderia ser dita nesta velocidade?''.

Contudo, a afirmação de que o corpo não mente não pode sempre ser levada ao pé-da-letra. ''A análise é bastante complexa. Precisa-se levar em conta variáveis filogenéticas (história da espécie), ontogenéticas (história de vida do indivíduo e do ambiente) e culturais (história da cultura), para considerar o que a linguagem corporal comunica, como comunica e em que circunstâncias elas ocorrem, e se são expressões verdadeiras ou não'', aponta.

Para se obter êxito na interpretação das mensagens expressas por pequenos gestos e atos, Oliani sinaliza com a observação. Segundo ela, é no treino da observação do comportamento do outro que a mensagem será captada.

''É no olhar que se percebe a maior parte da comunicação não verbal do interlocutor, constituída de faces, gestos e posições corporais: se está interessado na pessoa ou não; se o assunto é interessante ou não, se deseja aproximação ou não; se o interesse é intelectual ou sexual etc...''

A linguagem verbal
Um olhar diz mais que mil palavras, então? Nem sempre. ''É importante saber que é subjetiva e perigosa a análise só através da observação da linguagem não verbal. Ela fornece pistas de hipóteses que deverão ser averiguadas e então confirmar se é fato ou não a mensagem emitida pela linguagem corporal'', destaca a psicóloga londrinense.

Nesse sentido, segundo Oliani, é impossível ignorar a linguagem verbal, bradada a plenos pulmões. ''Há uma frase que é um decreto do ano 221 a.C. promulgado pelo primeiro imperador da China, Chi Huang-Ti: É crime criticar sua majestade. Então, dependendo do contexto, falar o que se pensa é perigoso. As pessoas podem ter comportamentos não verbais diferentes do comportamento verbal''.

Nas palavras da psicóloga, o que dizemos e expressamos, portanto, são correlatos às agências controladoras de nosso comportamento. Dentro desse ''script'' social, as majestades são várias. ''Há a comunidade, a família, a escola, o sindicato, nossas tradições sociais e religiosas, o patrão, o trabalho. E mais: todos vigiam a todos para que façam como se deve e como é adequado'', conclui.

Gesto universal
Com o corre-corre diário e esse conjunto de regras, o corpo se expressa, de fato, de acordo com a psicóloga, através de um gesto universal: o sorrir. ''Em qualquer país, em qualquer idioma, o sorriso é o ato compreendido e retribuído. O sorriso serve como cumprimento, como pedido de desculpas e como observação silenciosa e simpática quando olhares se cruzam''.

Oliani mais uma vez contextualiza. ''Ao entrar num ambiente, se a pessoa sorrir, a ação servirá como cumprimento. Se cometer um erro ao dirigir, o sorriso pode ser encarado como um pedido de desculpas. E mais: é no sorriso que se esconde nosso grande trunfo. Indica civilidade, educação, delicadeza e autoconfiança, podendo abrir portas. E fechar, também''.

No segundo caso, os ditos sorrisos irônico e amarelo fulminam mais do que muitas palavras. ''O riso é um comportamento que, dependendo da maneira como se manifestar, pode ofender e excluir. De qualquer maneira, há ainda quem receite: sorrir é o melhor remédio''.

Os modelos Gabriel Baú e Estefani Wasen representam, na foto, o amor à profissão. ‘‘O homem que descobriu sua vocação, mostra-o em linguagem do corpo, nas suas atitudes de bom ânimo, atenção, descontração, ritmo energicamente produtivo sem desperdício de energia’’, observam Pierre Weil e Roland Tompakow no livro ‘‘O Corpo Fala’’

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