Ela tem apenas 14 anos, é tímida e vive a expectativa de iniciar a carreira de modelo em Nova York, longe da família e sozinha, num lugar desconhecido. Najara Ascêncio da Silva está ansiosa, mas diz que não tem medo. Aguardando apenas a liberação do passaporte para a viagem, está praticamente de malas prontas para embarcar rumo à promissora profissão. ''Estou bem orientada, sei o que posso e o que não posso fazer'', explica a menina, que mede 1,68 (estatura baixa para modelos de passarela), mas que possui fotogenia ideal exigida pelas agências.
A previsão é ficar em Nova York durante três meses, sob a responsabilidade de uma agência de São Paulo. ''A agência diz que ela tem rosto de mulher, apesar da pouca idade e de ser magrinha. Por isso, tem chance de trabalhar fora'', complementa a mãe, a policial militar Cleusa Ascêncio da Silva, maior incentivadora da filha.
A possibilidade de ingressar na profissão começou quando Najara participou de uma seleção de modelos numa loja de Londrina, com apenas 13 anos. ''A dona da agência de São Paulo gostou do sorriso dela e pediu que ela fizesse um book'', conta a mãe.
As fotos foram feitas e, a partir daí, a agência iniciou os contatos com agências estrangeiras, que se interessaram por Najara. Foram dois anos de acompanhamento até que se efetivasse o primeiro contrato. ''Já estava tudo certo, ela ia para a China, mas resolveram mandá-la para Nova York. Estamos aguardando apenas a nova documentação'', argumenta a mãe, que não sabe o motivo da viagem à China ter sido cancelada.
Como a viagem pode acontecer a qualquer momento, Najara já abandonou os estudos. Ela cursava o primeiro ano do Ensino Médio e tem o sonho de ser jornalista. ''Quero trabalhar, ganhar meu dinheiro, ser uma modelo famosa e depois pretendo estudar e me formar''.
A mãe está confiante no potencial da filha e se diz segura porque conhece outras modelos que fizeram o mesmo trajeto. ''Temos garotas daqui mesmo do bairro que já saíram do País e, em São Paulo, também conversei com várias meninas. Ela está tendo a chance de ir para outros países, conhecer novas culturas. Isso só vai acrescentar na vida dela. Se ela não quiser mais, volta para casa''.
Questionada sobre os riscos da profissão, principalmente pela filha ser menor, a mãe diz estar tranquila. ''Perigo tem em todo lugar. Ela tem um contrato de serviço, que será seguido''. O contrato prevê uma ajuda semanal de U$ 100 para alimentação e transporte e 65% do valor pago pelos clientes que contratarem os serviços. Os outros 35% são da agência. No caso dos contratos serem firmados com a modelo, a agência também desconta as despesas que tem com a profissional.
Em relação à legislação que não permite o trabalho antes dos 16 anos e o abandono dos estudos, a mãe também está tranquila. ''As pessoas sempre trabalharam desde cedo. Acho que vale tentar. Hoje em dia tudo é tão difícil, mesmo com estudo, que se você tem uma oportunidade dessas, tem de aproveitar''.
Apesar da não validade do contrato, a mãe confia na agência. ''Já fui informada de que o contrato não tem validade, mas estou autorizando e confiando na agência que está responsável por ela''.(M.O)

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