A mendicância indígena em Londrina não pode ser comparada com o problema usualmente observado com brancos em grandes centros urbanos, já que, como os próprios caingangues afirmam, a comunidade do Apucaraninha vive com relativa tranquilidade. Ainda assim, Marlene de Oliveira coordena um projeto que, desde 2000, colabora para a extinção do problema.
Pedir esmola, em determinados momentos, constitui até perigo de vida para as crianças caingangues que acompanham os pais pelas ruas da cidade. O Centro Cultural Caingangue nasceu com o objetivo de oferecer abrigo aos índios que vêm para a cidade vender o artesanato, além, é claro, de servir como ponte para o intercâmbio das culturas branca e vermelha.
Tanto Marlene quanto o administrador da Funai, José Gonçalves, garantem que a mendicância caingangue é um problema isolado e extremamente pontual.
Mesmo assim é comum observar índios pedindo esmolas em pontos conhecidos da cidade, como no Calçadão, no pontilhão da PR-445 sobre a Avenida Madre Leônia Milito (Zona Sul), em cruzamentos de ruas do Centro da cidade e mesmo em frente ao Terminal Rodoviário.
''Já identificamos este problema e sabemos que eles vêm para cá tentando vender o artesanato que produzem nas aldeias. Pedir dinheiro não é uma constante entre eles'', afirma a antropóloga.
O Centro Cultural foi levantado há cinco anos, para evitar que o problema ganhasse proporções preocupantes. Antes da construção do complexo, alguns índios chegavam a acampar à beira da Avenida 10 de Dezembro, uma via de trânsito rápido conhecida pela violência dos acidentes de trânsito. Em 2004, inclusive, uma menina caingangue foi atropelada e morta na avenida.
Agora, com aval do cacique, os índios podem ficar hospedados por até 30 dias no Centro para vender o artesanato na cidade. Se os produtos não forem totalmente comercializados, o prazo pode ser prorrogado. Com oito casas, o lugar tem capacidade para até 50 pessoas e enfrenta períodos de lotação.
O administrador da Funai também negou que a Fundação deixe os índios em acampamentos irregulares na cidade.

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