Memória preservada atrai turistas
Na época dos tombamentos realizados no município pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a resistência ao processo e a falta de informação eram grandes. Hoje, boa parte dos moradores já conhece melhor o que representa a preservação, de acordo com o arquiteto do Ipahn, José Luis Lautert. ''Eles mesmos consideram que esses saberes são importantes'', observa. Este mês, o Iphan realizou na cidade o Jogo do Patrimônio Histórico para detectar a forma como os moradores encaram a questão. ''Eles acham que é possível aliar desenvolvimento com a preservação'', explica Lautert.
Entre os visitantes, alguns procuram a cidade justamente pela importância histórica. Outros a descobrem aos poucos, como Iran Dias, de 50 anos. Ele mora em Curitiba e sempre vai até a Lapa visitar os familiares. Este mês, ele entrou no Museu de Armas pela primeira vez. ''Infelizmente nossa memória é curta. Um povo só é culto quando reverencia a sua própria história. A nossa história é esquecida. E eu me incluo nisso. Andava por aqui e nunca tinha entrado'', conta.
Já Edemir Tszernioski, de 55 anos, volta à Lapa sempre que pode para visitar os museus e a gruta do Monge, local muito procurado por fiéis e turistas. ''Mesmo já tendo vindo várias vezes não deixa de ser interessante. Sempre tem alguma coisa que na visita anterior eu não tinha visto'', justifica. Tszernioski, que também mora na Capital, costumava trazer os filhos com ele e agora traz o neto Mateus, de 9 anos. ''É importante para o desenvolvimento deles. Desperta na criança a parte da preservação'', afirma.
Para Lia Veiga Silva, de 47 anos, no entanto, a cidade causou uma boa impressão. Ela mora em Curitiba e foi conhecer a Lapa com os amigos. ''Achei muito bonitinho, não achava que fosse tanto. Sou de Petrópolis e aqui está 80 vezes melhor. A estrutura é simples, mas não adianta ter muito luxo e não receber bem'', compara. (D.R.)





