Pela Folha, cobri acontecimentos com repercussão na vida de Londrina. Um deles, a reunião em que a Junta do IBC, no Rio de Janeiro, definiu a primeira verba (Cr$ 40 milhões, creio) para a aquisição do terreno que possibilitou a criação do Iapar, e que saiu graças aos membros paranaenses da Junta, João Ribeiro Júnior e Justino Araújo Vilella, em especial.
A inauguração da Rodovia do Café, com a presença do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, foi outro fato marcante, pois amenizou bastante a separação geográfica entre o Norte e o Sul do Estado.
Naqueles tempos - creio até que ainda o seja - era a Folha ponto obrigatório de visita de todas as pessoas importantes que chegavam a Londrina. Políticos, artistas, gente que fosse notícia ia bater no jornal. E muitas canjas nos foram proporcionadas por nomes como Sylvio Caldas, Nelson Gonçalves, Dóris Monteiro, Claudete Soares... e tantos mais, em retribuição espontânea à promoção de seus espetáculos.
De propósito, deixei para o fim referência especial àquele que foi e sempre será a própria alma da Folha: o ‘‘Patrão’’, João Milanez. O Milanez, que a ninguém poupava da alcunha de ‘‘comunista’’ e outras, que sabíamos, porém, não conter nenhum ranço de maldade. Pelo contrário, o impropério era para encobrir o verdadeiro sentimento de quem o proferia. João Milanez foi e continua sendo, tanto quanto a própria Folha, hoje também com a marca Paraná, o símbolo de nossa querida Londrina.
A reminiscência serve para ressaltar uma faceta de João Milanez. Do homem que sempre tratou as pessoas, qualquer pessoa, com a mesma consideração e respeito. Do amigo, que mais tarde também acolheu no jornal o repórter fotográfico Chico Rezende, meu irmão, que veio a falecer prematuramente, por coincidência, poucas horas depois de ter concedido longa entrevista à Folha, de cujos quadros já não fazia parte.
Passados tantos anos e ora percorrendo outros caminhos dentro e fora do jornalismo, sinto-me ainda ligado à Folha. Pela saudade, pelas recordações, pelas amizades. E pela indispensável leitura diária. Foi na Folha que concretizei o sonho de ser jornalista, e em cujas páginas deixei impressa boa parte dos melhores anos de minha vida.
- ANTÔNIO CLARET DE REZENDE é jornalista em Curitiba

mockup