Melhoramento da qualidade teve impulso com a perda
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sábado, 18 de junho de 2005
Agência Estado 
O Paraná já foi o principal Estado produtor de café do País e chegou a ser considerado o maior parque cafeeiro do mundo. No dia 18 de julho de 1975, os cafezais paranaenses foram arrasados por uma geada que entrou para a história. A tragédia pôs um ponto final no método de cultivo tradicional e reduziu a área de cultivo. A monocultura foi substituída com a chegada da soja e do trigo e outros produtos. Nos últimos anos, o café do Paraná voltou a conquistar espaço no mercado graças a iniciativas para melhorar a qualidade do produto.
O processo de melhoramento da qualidade teve impulso depois das perdas com a geada de 1975. O programa de melhoramento genético envolveu a participação de institutos de pesquisa e órgãos oficiais. ''Tínhamos o estigma de produzir muito café, mas de baixa qualidade'', lembra o agrônomo Edison José Trento, da Emater-PR de Curitiba.
O Estado chegou a produzir na década de 1960, que marcou o auge da cultura, 21 milhões de sacas; hoje, a produção oscila em torno de 2 milhões de sacas. Na época, a área plantada era de 1 milhão de hectares e hoje é de pouco mais de 100 mil hectares. Jacarezinho e Londrina concentram a maior área plantada, com 27 mil e 20 mil hectares, respectivamente.
Além do aprimoramento de novas variedades, os institutos de pesquisa passaram a treinar os produtores em técnicas eficientes de cultivo, manejo e colheita. O cultivo do café passou a ser direcionado principalmente para os pequenos produtores, como complementação de renda. Oitenta e cinco por cento do café é produzido em pequenas propriedades de até 50 hectares. A Secretaria de Estado de Agricultura estima que o café seja cultivado por 17 mil agricultores. E a produtividade apresentou um grande salto: se na década de 1960 um hectare produzia de 9 a 11 sacas, hoje produz 40 em média.
O melhoramento genético da planta vem sendo desenvolvido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina, com o lançamento de novas variedades da planta. Além disso, foi introduzido no Estado o sistema de café adensado, inspirado no modelo utilizado na Costa Rica, que possibilita maior concentração de pés em áreas menores. O plantio adensado permite de 7 mil a 8 mil pés por hectare, enquanto no tradicional o máximo é 4 mil, e ainda reflete na qualidade do produto, já que a melhor nutrição da planta proporciona maior concentração de açúcar, óleo, vitaminas e minerais no fruto.


