Morador da Zona Oeste, o jovem de 21 anos hoje é auxiliar geral de uma farmácia. Há três meses, passa meio-período do dia organizando os medicamentos nas prateleiras. O emprego foi obtido como forma de pagar a dívida dele com a sociedade.
É que ele foi preso por assalto dois anos atrás e cumpriu pena na Casa de Custódia de Londrina. Com o salário, paga mensalmente uma cesta básica como forma de cumprir o restante da pena dele em regime aberto. E diz que quer outro emprego para seguir a vida sem o risco de voltar para a criminalidade.
''A gente vai procurar serviço, mas sempre pedem dois anos de experiência, o que eu não tenho. E ainda pedem o atestado de antecedentes criminais'', lamenta o rapaz, que trabalhou na Zona Azul por pouco mais de um ano. Ele também foi empregado por três meses numa metalúrgica e demitido após o período de experiência.
De acordo com o Patronato Penitenciário, órgão do governo estadual responsável pelo trabalho de reinserção de ex-detentos na sociedade, é ilegal cobrar o atestado de antecedentes criminais dos candidatos a emprego, exceto em empresas de ramos específicos, como segurança.
O caso do técnico de som de 27 anos, morador da Área Central, é diferente. Enquadrado por porte de drogas, ele cumpre pena alternativa prestando serviço a uma instituição pública. Por oito horas semanais, ele digitaliza o conteúdo de fitas cassete. ''É um serviço importante para a comunidade'', comenta. Para ele, a educação é a única forma de impedir que os jovens entrem no mundo do crime.
Ressocialização O trabalho de ressocialização não termina quando a pena em regime fechado se encerra. Muito pelo contrário, o acompanhamento nos primeiros dias fora da cadeia é muito importante para que o ex-interno não retorne para a criminalidade.
O órgão cuida da execução de penas no regime aberto, caso dos egressos do sistema penal, e dos condenados à prestação de serviço comunitário. Mas, em Londrina, o atendimento pára no momento em que o egresso deixa de ter pendências com a Justiça.
Essa situação, segundo o diretor do patronato Tadeu José Migoto, não é a ideal. ''O certo seria acompanhar o egresso nas empresas para encaminhá-los na busca por um emprego. Mas não temos estrutura para isso'', declara. A entidade conta com dez funcionários e precisa de pelo menos o dobro. Por enquanto, a estrutura atual é suficiente apenas para acompanhar quem ainda está cumprindo pena.
O atendimento abrange quatro áreas: serviço social, psicologia, pedagogia e jurídico. O egressos ainda são encaminhados para prestação de serviços em instituições cadastradas. A legislação determina que eles têm de cumprir obrigações por pelo menos um ano após sair da carceragem. E a reabilitação total, essencial para ''limpar a ficha'', precisa ser requerida dois anos depois.
Para a advogada do Patronato Penitenciário, Edna Wauters, as causas da explosão de criminalidade são sociais. ''Faltam políticas públicas para acolher o egresso. Mas as maiores dificuldades são a falta de qualificação profissional e o preconceito'', avalia.
Para Tadeu Migoto, a solução depende de uma opção da sociedade: ''Devemos optar entre investir na construção de presídios ou em educação. É preciso investir para erradicar os bolsões de pobreza, dar lazer para a juventude. Estamos errando ao copiar o modelo norte-americano, que é combater o crime intensificando a repressão'', resume o diretor.(F.R.F.)

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